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20.10.18

Escolhas...



O vagão do metrô treme

Ela está imóvel, olhos vagam no espaço
Ela não está viva na cena, é uma estátua

O ar-condicionado está gelado

Mas da nuca dela escorre uma gota sem pressa
Entra no vão da coluna, descendo pelas costas
Encontra o cós da calça, se esticando bem fina
E não para nem ao tocar o elástico da calcinha

Nesse momento ela estremece

No debate paralisante entre a razão e a emoção
O corpo dela age independente dos pensamentos
Nele não há dúvidas e nem confusão, só desejos
Parece que ela ficou nua no meio daquela gente
Sem ter como ocultar o peito aberto até o sexo

A estação chega, ela corre pra sair

Caminha cegamente até sua casa
Sem cumprimentar conhecidos
Sem desejar uma boa noite

Entra rápida no elevador
Avança pelos corredores
Abre a porta depressa
E cai direto na cama

Não para descansar
Tampouco dormir

Cerra os olhos
E cede a ele
Escondida
Protegida
Entregue

Por uma
Última
Vez



2018





18.10.18

Começo...


E bem no final de todas as contas...
Ela se apaixonou pelo seu próprio amor

Por todas as inéditas emoções que sentia
Pelas cenas maravilhosas que visualizava
Pela potência que considerou fato concreto
Pelas sintonias que tornaram-se depoimentos
Pelos fragmentos transformados em monumentos
Pelas músicas que formaram uma incrível trilha
Pelos desejos que sacudiram a rotina do dia a dia
Pelos sorrisos que ativaram músculos desconhecidos
Pelas palavras que bailavam dela depois dos capítulos
Pela provocação que tanta vida fazia ao preguiçoso óbvio

Ele, no duro, era apenas um cara disponível...até não ser mais.
E quando ela se deu conta, pegou seus sapatos e partiu de calcinha
Ela não tinha mais tempo a perder...um começo a esperava longe dali



2018