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22.12.16

Aleppo


Olhos cansados que gostariam de não ver Corações que batem com dores Sentimentos atropelados Medo Terror Abandono  Incompreensão Onde estão todos Onde está o mundo globalizado Onde está o poder das redes Onde esta a sua humanidade Em que Terra estamos Existe vida aqui Existe irmãos Não adianta virar hashtag Não adianta ser trendtop Ser assunto não adianta Por que não estamos nas ruas Por que estamos com esse conformismo conveniente Holocausto Eles não querem virar história Eles querem apenas a própria vida de volta E você Como ficaria sem a sua Sem poder proteger seus filhos Sem poder nada além de respirar e presenciar o próprio massacre Onde estamos nós agora O que fizeram com a gente Porque estamos deixando Para onde vamos Aleppo.



21.12.16

Enough!



Novo Inusitado Inesperado Abertura Liberdade Permissão Que venha o que nunca foi dito  Que aconteça o que nunca foi feito Chega de tudo o que foi visto Não dá para ver as mesmas cenas Não dá para saber o final de tudo Não aguento mais assistir tanto gado passando sob a minha janela Vou gritar bem alto Ficar nua Ficar muda Me vestir Gritar de novo Com ou sem expectador Com ou sem aplausos Com ou sem tomates Não importa Não faz diferença Se o meu roteiro servir só a mim Que seja Só não serei mais personagem de histórias que não me representam Chega Eu finalmente sou eu mesma Doa a quem doer Aceite ou não Goste ou não Problema muito seu O meu eu resolvi Fui Voltei Cheguei Estou aqui.


2016 


Artwork: Aykut Aydoğdu  (sepia version)

17.12.16

Lou Andreas Salomé






"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! "





 Lou Andreas Salomé



13.12.16

Retomada



Choque Percepção de que o caminho estava errado A volta terá que ser na contramão Um perigo Mas quando sabemos que temos que voltar Vale o risco O que importa é ser fiel ao seu próprio fluxo Voltar pra luz as vezes significa caminhar em um pouco de escuridão Não me permito mais ficar parada em encruzilhadas Nem aceito caminhar nem mais um passo em estradas que não vão me levar a lugar algum Volto sim Volto pra mim Que me perdoem os que ficarem pelo caminho Se achem também Honrem o encontro comigo Cada um com seu destino Fui.


17.11.16

Fim



Os pés doem A costura da blusa incomoda Percebo um dente que deve estar com problemas A pele está sentida O sexo está cansado Os músculos reclamam O corpo funciona mal Puxo pouco ar Fim de ciclo Fim de fase Fim do enredo The end na tela Done Vejo na frente Destino Tem coisas que só são entendidas depois Tem pessoas que só são lidas após Olho em volta os rastros do ciclone Muita coisa destruída Outras reveladas Poluição Oxigênio novo Fertilização Papel na máquina História nova Seja qual for Pouco Importa Créditos.



15.11.16

Neale Donald Walsch


"Lembre-se de que esta sempre se criando, decidindo quem é o que é. Você decide isso em grande parte através das escolhas que faz quanto a quem ou o que desperta a sua paixão."


 Neale Donald Walsch







Artwork: Banksy  (sepia version)

13.11.16

After middle...





O bom de já ter passado pelo meio do caminho, com paisagens e agruras, é que você encurta a história, passa a escolher for-ever a versão short!







Artwork: René Gruau (sepia version)






12.11.16

Bingo!



Não quero saber Não me interessa  Não vou ouvir Não acredito Não vou considerar Entendi  Percebi Descobri  Realizei  Saquei  Senti  Intuí  Confirmei Desisti Fui Não quero saber Não me interessa Não vou ouvir Não acredito Não vou considerar  Não vou mais sentir Vou parar de mentir pra mim Acabou!

Artwork: Sergio Albiac (sepia version)


2016

11.11.16

Move on...



Para desapegar temos que entrar em contato com nossos desejos
Olhá-los na cara sem medo, sem se enganar nem por segundos
Enfrentar suas tentações sem fugir e em seguida arregar
Confessar para nós mesmos o que queremos
Rasgadamente, sem edições, sem filtros
E perceber que queremos muito
Mas não a qualquer preço
Então se é alto demais
É melhor ir... 

2016

7.11.16

Mesmo que seja bizarro...



Quando você fica confortável, seguro e feliz com quem você é
 O resto fica absurdamente mais fácil...




31.10.16

I do...


Não estou apta a dizer não
a quem vem na contramão
a quem chega sem julgar
a quem deixa ser

Não estou apta a dizer não
a quem contraria o bom senso
a quem desafia expectativas perfeitas
a quem se deixa revelar

Não estou apta a dizer não
a quem não se rotula
a quem não pede bulas
a quem simplesmente é

Não estou apta a dizer não
a quem não tem GPS
a quem abre a porta pra mim
a quem recebe minhas bagagens

Não estou apta a dizer não
a quem turbina meus desejos
a quem me vira do avesso
a quem redefine meu prazer

Não estou apta a resistir você, baby
Bora?






Artwork: Rene Gruau (blog sepia version)

29.10.16

Êxodo


Nem toda conexão tem sexo
As vezes é apenas motivação
Nem todo sexo tem conexão
As vezes é só ação e reação

Nem toda motivação tem nexo
Mas as vezes atinge todos os plexos
Conexão, sexo, plexos e nexo é a perfeição
Não me atenho mais a tal matemática complexa
Meu destino é o hoje

Vou ser feliz agora



Artwork: Ernesto Artillo (sepia version)

13.10.16

Fora de Curso




Tem gente  que chega e  muda  o seu curso
Você  começa  a navegar  por outras águas
Descobre novos cenários, outras paisagens

De repente nada que vê lhe parece familiar
E você não tem a menor ideia de onde está
Só sabe que não quer voltar para o antes...






12.10.16

Gabriel Garcia Marques



"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver."


Gabriel Garcia Marques




11.10.16

Recovery


Somos tudo o que temos
Então temos que ser a nossa melhor versão
O importante é usar tudo o que rola na vida
Para constantes encontros com você mesmo
O foco deve ser o movimento...
Quem tem que ficar, fica
Quem quiser ir, que vá.


Artwork: Simon Winnall




7.10.16

Mergulho


O medo as vezes é como um bote salva-vidas para certas pessoas
Elas podem ficar ali, quietas, seguras, resgatadas de si mesmas
Sem lançarem-se ao mar para evitar frustrações e riscos
E escaparem ilesas dos maremotos e das revoluções
Que acertos incríveis costumam provocar...

É uma escolha deliciar-se nas ondas
Apesar dos possíveis perigos
Ou apenas ficar boiando
Em águas amenas...





6.10.16

Escolhas...


Até que chega uma hora em que não há o menor sentido
em investir no que não faz sentido...




3.10.16

Open


Relaxe com novidades arrebatadoras
Movimentos fazem parte da vida

A vida é feita de tentativas e erros
E as vezes ela nos brinda com acertos maravilhosos

Então mantenha-se aberto
Só tenha medo de ficar estagnado

Esse é o único medo que alguém deve ter...




1.10.16

Pequena Morte


Era um primeiro encontro, cheio de informações desconexas, histórias que não se completavam, alegrias tolas, afinidades gratuitas. Falaram e riram sem reter nada. A questão era apenas estar perto, poder estar dentro.

As afinidades foram tão intensas e combinadas que, por mais de uma vez, ele parou no meio e a encarou; em outro momento foi ela...medo?...Mas ainda não havia respostas e nem tempo para procurá-las.

Na despedida, meio desconcertada, ela foi saindo do carro sem deixar o aval do seu beijo. Ele não deixou: a puxou pelo vestido.

Quando ela virou, a expressão no rosto dele falou mais do que palavras. Ela então pulou em seu colo, segurou seu rosto, afundou as duas mãos em sua barba, olhou em seus olhos e deu-lhe um descansado beijo.

Ficaram ali, algum tempo, inertes por fora e aos turbilhões por dentro, até se soltarem com uma desafogante suspirada.

No dia seguinte, um compromisso qualquer marcado na vida de antes afastou os dois da continuação desse eloquente enredo.

Com o começo da semana, ambos mergulharam em uma frenética rotina urbana: tensa, tomada, ocupada, apressada.

Mas, eles não se desconectaram; se alimentaram de mensagens, emails, recadinhos sonoros, provocações em vídeos, interesses explícitos. Usaram toda a tecnologia disponível a favor da desfavorável realidade rasa.

E então, exatamente uma semana depois, finalmente os dois se reencontrariam em um suposto jantarzinho combinado à quatro mãos na casa dele.

Ingredientes na bancada: massas, temperos, travessas, panelas, vinho, taças. De repente, a campainha toca desfocando a cena. Ele se desmaterializa para chegar à porta mais rápido; ela surge energética, sorridente, cheia de graça e sem graça, pela indisfarçável fome de jantá-lo.

Ele aceita. Pega a sobremesa das mãos dela, coloca o embrulho em algum lugar improvável, volta e  a puxa para seus braços.

Ela mais uma vez se perde em um beijo afundado naquela barba, enquanto ele a segura sob o vestido, pelas popas, subindo as mãos com uma pressão forte, sentindo umidades, temperaturas e carne.

Ela se ampara na parede. Ele se aproxima mais até encaixar o corpo inteirinho no dela. Ficam ali, sem pressa, embolados entre beijos e respiros; entre desejos, apertos e movimentos.

Não se despiram, mas estão nus e entram em uma sintonia tão violenta que morrem juntos ali, por um momento...





24.9.16

Lição



A vida concede nosso primeiro respiro e retirado nosso último fôlego

A vida nos empurra, nos move e nos joga de um lado para o outro 
E também nos paralisa quando ficamos perplexos com os fatos

A vida corre paralela mas por vezes determina nossos passos
Sem se importar com quem somos ou no que acreditamos

A vida sempre nos desafia a segurarmos as suas rédeas
Para sermos eficientes coautores do nosso destino

A vida sem pena nos dá e ao mesmo tempo nos tira
Nos afasta de amores, de amigos e de certezas

A vida nos bate com realidade e rotinas
Nos prende pra aprendermos a  soltar

A vida revela que só evoluindo
Podemos saber para onde ir

A vida nos dá o sopro
Nós içamos as velas

A vida venta
Navegamos






16.9.16

Casamentos


As vezes a gente não percebe e desama...
As afinidades enfraquecem
Os objetivos desafinam
A harmonia destoa

Dói, resistimos, lutamos e, por fim, acabamos assumindo.

Isso se você for honesta com você mesma e com o outro
Se for, há sofrimento, mas a vida segue, a amizade fica

As vezes a gente tem que desamar...
As afinidades são atropeladas
Os objetivos massacrados
A harmonia detonada

Dói, rasga, fere, causa hematomas e, por fim, acabamos fugindo.

Isso se você tiver mais amor por você mesma do que pelo outro
Se assim for, não fica nada, nem o bom do passado interessa

O ex-amor pode até te chamar de piranha em praça pública
Que você simplesmente não liga.




14.9.16

Então...



Não entendeu? Beleza, então deixa pra lá.
Ficou com medo? Ok, então esquece.
Não é bem isso? Ah tá, então foi mal.
Não quer? Combinado, então fui.

Tem gente que te dá preguiça...





2.9.16

Fotografias



Vejo suas fotos com a certeza de que você não faz mais parte do meu álbum
Que perdeu qualquer timing, apesar de terem sido muitos
Que seu sim  não durou mais do que alguns segundos

Vejo seu sorriso forçado de quem está morto de tanta alegria
Denunciado pela história diferente que seus olhos contam
Abstinentes de verdades em sua vida

Vejo que continua me olhando de longe, sem querer chegar muito perto
Averiguando se continuo no mesmo lugar esperando o seu tempo
De assumir nosso encontro indiscreto

Vejo que ainda prefere as tapiações, ou melhor, que fez uma escolha por elas
Que optou pelo raso lugar comum da zona de conforto
De achar que tudo é uma grande festa

Vejo que em tempo algum vai quebrar regras, se jogar, ligar o foda-se
Não para fazer bobagens, infantilidades ou alguma outra estupidez de sempre
Mas para ser você completamente

Vejo que sua sensibilidade, criatividade e senso incomum foram soterrados
Bem debaixo do seu nariz, em frente aos meus olhos, ao sabor de aplausos falsos
Que transformaram o seu melhor em entretenimento fácil

Vejo que mesmo que me enviasse mil mensagens ou gritasse nas minhas janelas
Nada poderia mudar mais nada; suas atitudes ou palavras foram desconectadas
Tudo o que não houve entre nós dois agora são fotografias amareladas








28.8.16

Futuro on the rocks


Na geladeira, rótulos ao acaso de cervejas
No ar, a música da hora toca no automático
Cream cracker com pasta vira petisco
Os assuntos não são concentrados
As risadas, livres e desconcertadas

Os temas não serão particularmente lembrados
Os motivos não são importantes
As buscas não são precisas
As atenções não têm foco predeterminados
Os propósitos não são exatos

É apenas uma interseção de afinidades
Coincidências estratégicas de idades
Resenhas de uma geração
De uma vida em gestação
Um interlúdio para a real-idade

E então depois que o tempo já foi instalado
Essa desimportância ganha relevância
É o cimento que estabiliza solos frágeis
O oxigênio nas nuvens dos desencontros
O sol em um mundo de óculos escuros

Onde as escolhas são conscientes
As decisões são mais fáceis
A jornada encontra sentido
O equilíbrio é uma conquista
Mas nada é tão leve como antes










25.8.16

Contrastes


E o que seria eu sem os meus desamores?

Sem um enredo para minhas  palavras
Sem um alvo para meus sentimentos
Sem encarar as minhas incertezas
Sem um desastre entre as vitórias

E o que seria eu sem viver meus dias?

Sem procurar o que me basta
Sem inevitáveis desencontros
Sem despertar com cansaços
Sem querer o que me falta

E o que seria eu sem errar?

Sem às vezes me perder
Sem tentar me achar
Sem me perder
Sem acertar

E o que que seria eu sem me entender?

Sem me desconhecer
Sem me reconhecer
Sem me conhecer
Sem me ser

E o que seria eu?

Senão eu mesma
Senão eu
Senão
Se



Ilustração: La Carpa — Aykut Aydoğdu (detalhe)




24.8.16

Fôlego



Os olhares se encostaram
Era possível sentir o toque calmo
.
.
.

Íntimo

O mundo em volta embaçou
Saiu de foco, só ele ficou nítido
.
.
.

Silêncio

Ele não se movia
Sua imagem congelou como em um retrato
.
.
.
Impacto

De repente tudo voltou a funcionar
A cena ficou rápida, um tiro certo
.
.
.

Encontro

Quando ela se deu conta, estava entregando um cartão
Na sequência, ele estava no feed dela
.
.
.
Certeza

E agora estavam ali, no mesmo quadro
Abraços fortes antes de nomes e sobrenomes
.
.
.
Quereres

Nariz com nariz, cheiros, texturas, temperaturas
E um inédito hiato bom no peito
.
.
.
Suspiro





22.8.16

Noite inconclusiva



Pela vidraça do McDonald's da Times Square, ela lança um olhar longo pra rua
De onde está, observa pessoas zanzarem pela madrugada pós alguma coisa
Está no segundo andar, mas parece que esta mais distante, fora dali
Alguns caminham sozinhos, devagar, sem linhas retas, errantes
Outros riem em grupos; ela não os ouve, mas parecem felizes
Outros são um, na verdade dois, apertados por um abraço
Ela é um pouco de todos e também não é nada daquilo

Por isso, quando ela se perde, adora ir para aquele lugar híbrido, vago
Fast food, fast images, fast moments; um lugar onde nada é retido
Aquele anonimato forçado lhe confere uma sensação de conforto
Quem é ela, quem são todos, apenas um monte de ninguéns

Ela continua olhando pela vidraça, ofuscada pelo neon do letreiro abaixo
O excesso de cores e apelos ao redor torna tudo menor e simplificado
A poluição de sons e imagens provoca-lhe uma meditação ao inverso
Enquanto vestígios dos desejos e das intenções de horas antes
Se dissipam no murmúrio que vem daqueles rostos sem nome

Esse universo confuso lhe devolve o eixo perdido
Depois de mais uma noite que era promissora
Mas acabou inconclusiva, como as outras 
Fazendo com que ela busque respostas
Que não estão lá fora, estão nela

E ela sabe, então decide fugir
Enquanto pode, porque dói
E ainda não é a hora 
De deixar doer
De novo




14.8.16

Parênteses


Sem local definido
Não importa, tanto faz
Urgente mas na hora que der
Qualquer tempo vai ser tudo.

Espera-se que seja intenso
Revigore sentidos domesticados
Abra pupilas, poros, plexos, nexos
Provoque ondas em meio a marolas

Datas são acertadas, a hora combinada
Tudo tem que acontecer em paralelo
Sem tocar as linhas limítrofes
Mesmo que sejam invisíveis.

É declarado, escancarado, escandaloso
Mas tem que permanecer super secreto
Trata-se de um escape, um adendo
Com significado controlado

Mas, para quem é um texto inteiro
Resumir-se a um parênteses
Que não altera o sentido
Não interessa.






4.8.16

Jump!


Tempo prévio, fantasia
Os segundos se arrastam
Irritando a pressa da ansiedade

Desejos saem pelas roupas, descosturam
As expectativas desafiando a realidade cética
A pressão, as impressões, o primeiro encontro

E então, será uma confirmação, uma ilusão, um desatino, um nó?
Tudo pode surpreender, inclusive para melhor e por que não?
O melhor talvez esteja no exato momento do não saber
Onde tudo pode ser ou tudo pode ser coisa nenhuma

O jogo não é controlar os resultados, é apostar


  




3.8.16

Rumo...



Desculpe, mas eu não tenho medo de ficar desconfortável ao procurar o que me interessa...

Acho até que tenho lidado cada vez melhor com isso, porque antes de um sim que valha realmente a pena há de se enfrentar muitos nãos de todos os tipos...

O que eu não faço, e também não me interesso por quem o faça, é ficar me escondendo dos meus desejos, por mais loucos que pareçam; ou ir em direção a eles hesitante, perdendo tanto, as vezes tudo...

Não há dúvidas de que meu currículo de frustrações, decepções e quebras de expectativas é vasto; proporcionalmente vasta é a minha lista de experiências únicas, pessoas incríveis e prazeres impublicáveis...

Combinado isso, já nos entendemos: você segue o seu caminho reto e eu continuo a caminhar.








29.7.16

Bate e volta...


Nunca tenha medo de cair
Depois que aprende que do chão não passa
Levantar será, para sempre, possível e mais fácil
E então, você vai entender que descer ou subir
É apenas um dos exercícios da vida
Desenvolve os músculos
Nos deixa mais fortes
E se doer, passa.





20.7.16

Para você que esqueceu do amor...



Sim, rir sem o menor motivo é clichê e é maravilhoso...

Acionar a poeta, compositora, artista, criadora via coração também é.

Escolher sua melhor roupa, seu melhor sorriso e seus melhores sentidos pelo outro é um lugar comum cada vez mais incomum, porque quase ninguém está achando.

Achar que cartas, cartões, emails; posts em blogs, no Instagram, mo Twitter, no YouTube, no Facebook e mensagens no Whatsapp ainda são poucos meios para expressar sua emoções não é exagero, é tempero.

Porque o homem pode inventar tudo, ir ao espaço, quebrar tudo na Terra, dominar o ciberespaço e até substituir o próprio homem com tanta tecnologia.

Mas nunca vai conseguir com tudo isso preencher um coração vazio.

E muito menos esvaziar um peito repleto de sentimentos.

Mais clichês, por favor...



19.7.16

Errata


Desculpe, mas você me interpretou mal...
Eu não sou uma pessoa de arroubos.
Eu sou O arroubo.









18.7.16

Eu declaro que...


Tem dias que toda a declaração que você tem a dar é que, de uma maneira muito sua, você acha um certo alguém absurdamente lindo; e que,  absolutamente todas as vezes que você se depara com aquela foto roubada no celular, se surpreende com um sorriso novo no rosto...

E o mundo não fica mais incrível com essas palavras pulando nos textos, nos posts, nos emails, nas mensagens e em todos os lugares que existem para dizendo exatamente o que estamos sentindo? 




17.7.16

Edição limitada.


Tem gente que sai da sua vida tão completamente, que nem em uma obra de ficção, um poeta, um escritor ou um roteirista conseguiria reuní-los de novo na mesma página...



11.7.16

Exit





Você sai quando eu acabei de chegar
Você pede a conta quando eu resolvo ficar
Você resolve mergulhar quando eu saio do mar
Você para de tocar quando eu chego pra dançar
Você decide começar quando eu cansei de brincar
Você quer me amar quando não quero nem te odiar
Você foge correndo quando percebe que vou voltar

Você é inexato, abstrato e burro.




10.7.16

Preguiça


Meu coração está deitado ouvindo música
Escolhendo uma guloseima na geladeira
Lendo um livro com bons capítulos
Navegando no computador

Meu coração está folheando a agenda
Ele está afim de ver filmes sem legendas
Sabe que o melhor está além do que é dito

Meu coração está no modo avião
No lugar de sempre, mas sem total acesso
Não quer por vestido, batom nem saltos altos
.
.
.
Meu coração só quer ficar
.
.
.
Quieto.







9.7.16

Gotas



Olho o tempo seco da janela e penso que gostaria que estivesse chovendo agora...
Com aquele barulho distintivo que abranda ao redor, mas também ameaça
Fazendo de onde estamos um pequeno quadrado seguro no mundo

Eu queria que a chuva estivesse batendo nas janelas, escorrendo pelas vidraças...
Provocando a sensação de que não devemos nos mexer, um álibi perfeito
Para podermos deixar o que quer que seja para um outro dia

Eu gostaria de ver relâmpagos e de ouvir algumas poderosas trovoadas ecoando...
Com aquele desejo instintivo de estarmos grudados com quem amamos
Para falarmos tudo, caso o mundo decida acabar nessa hora

Eu queria estar lá fora no meio da chuva com a minha falta de medo de me molhar...
De encharcar minhas roupas, minha calcinha; de deixar os cabelos escorrendo
De permitir que a água encontre caminhos pelo meu corpo
.
.
.
Para refrescar minha alma.



7.7.16

Então tá...


Aquele dia em que você não quer convencer nenhuma pessoa de nada...
Principalmente do que é melhor pra ela....





25.6.16

Cardápio


Uma alternativa agridoce para momentos de tédio
Uma refeição rápida para necessidades urgentes
Uma opção de baixas calorias para dias amenos
Um escolha spicy para dias frios e calados
Um japonês para curiosidades exóticas
Um petisco para tapiar o pouco tempo

E um surpreendente banquete de iguarias
Que exige uma abertura dos paladares
Disposição para diferentes temperos
Inclinação para novos sabores
Coragem de experimentar
Falta de medo de gostar

Uma experiência que não permite voltar para o ponto de antes
Que modificará nossas papilas gustativas para todo o sempre
E levará nossas vontades muito além da simples fome

Uma oferta de pratos que não podem esfriar com hesitações
Que devem ter a ordem do ritual de degustação respeitada
Apreciada sem pressa em cada particularidade exata

Porque iguarias são iguarias e não apenas comida












18.6.16

A Gaivota


Quem nasceu com asas longas
Não deve temer deixar a praia
Nem voar altas distancias

E quando em um voo avistar um mar aberto
Deve se lançar em um mergulho profundo
Para experimentar o novo, aventurar-se

Porque asas bem usadas levam a uma terra vasta
Asas atrofiadas podem ficar travadas e confinar
A coragem de voar alto condena ou liberta

Uma escolha.




13.6.16

Labaredas


O toque da palavra é físico
O silêncio vira arroubo
A hesitação declara
O olhar consome

Gotas de suor escorrem preguiçosas
A pele se debate entre afogar-se ou sufocar-se
Tentando driblar, o corpo tenta escapar aos pedaços
Mas cegos, escolhem ir para a mesma direção do fogo             

A insistência zomba das dificuldades
Nada faz sentido, mas tudo é exato
A distância desafia as vontades

O tempo é calendário
O calendário, datas
As datas são metas
As metas, desejo

O desejo, apenas palavras
As palavras são intenções
As intenções, o nada
.
.
.

Labaredas




31.5.16

Jogo de Cartas


Suas palavras chegaram como se fossem íntimas da destinatária
As observações sutis, precisas, que a distinguiriam
As respostas perfeitas sem tempo (aparente) de elaborá-las
Os sentimentos assanhados de quem fez um grande achado

Era como se ele tivesse acesso a um manual sobre ela escondido
Onde pudesse estudar capítulo a capítulo o que a comoveria
Como uma chave para abrir suas portas transparentes, mas fechadas

E ela se deixou levar, passeou por ali, por ele, por tudo aquilo
Mas foi com a passagem de volta, sabia que iria voltar
Só desejou que durasse mais, antes do final anunciado

Ela sabia que o melhor era o que parecia ser, o que era evocado
Desconfiou o tempo todo e se fingiu de viva para poder jogar
Não era verdade nele, nunca foi, mas foi fato nela, sempre é...


29.5.16

Paraíso dos homens



Eu decidi não expor minha indignação, meu ultraje, meus sentimentos quanto à violência inominável sofrida pela adolescente brasileira estuprada por mais de 30 homens. Decidi ficar calada, andava cansada de qualquer bandeira, principalmente depois de participar ativamente das passeatas que começaram a questionar o governo recém deposto, e de vê-las se esvaziarem por claras sabotagens do próprio governo que pararam, calaram e aquietaram as vozes. O governo eleitoreiro das esmolas que assaltou o país foi reeleito e o trabalho que deveria ter sido feito para impedi-lo de continuar a sua festa, agora foi feito para expulsá-lo e remendá-lo precariamente. Cansei mesmo.

Mas hoje estava indo para a praia, dar um necessário break. Aqui não é a Venezuela (acho que disso escapamos), mas a vida não anda fácil. Daí passei pela portaria e ouvi a conversa do porteiro com um morador. Dois homens de formações e condições sociais distintas que estavam placidamente compartilhando a mesma opinião:

 Os "cara" estavam errados, mas ela também errou. Disse o porteiro, sorrindo de lado, com ares de ter dito uma frase "eureka".
 Ééééé...–  emendou o morador –  se ela passou por isso é porque também gostava muito da coisa. 

Nem que eu quisesse, meu corpo se calaria. Voltei do portão, parei na frente dos dois e disse: O que vocês estão falando é um enorme absurdo. Gostaria que vocês parassem e pensassem no que disseram, por gentileza. E saí...

Saí para esse mundo cada vez menos azul, menos cor de rosa, menos colorido. O que se passa? Alguém por favor me explica porque, do alto da minha experiência de algumas décadas de vida, não consigo entender; porque não sei pensar apenas com a cabeça, não aprendi. Sempre pensei com emoções e com sentimentos também, e coisas assim fogem da minha compreensão, de verdade.

Onde posso dizer, escrever gritar, pintar, desenhar, que mesmo que uma mulher ande pelada pelas ruas, ninguém tem o direito de atacá-la sexualmente; de desrespeitá-la e forçá-la a fazer alguma coisa que ela não queira; de ser covarde com sua condição física e emocional.

Onde posso chorar para mostrar que mesmo que uma mulher decida ser sexualmente promíscua - como os homens são há milênios, à vontade – ; ou que resolva trocar de parceiros na mesma proporção que troca de calcinhas, isso não dá direito a nenhum homem do planeta de forçá-la a fazer sexo com ele sem o seu consentimento.

Onde posso gravar para sempre que atos assim não são uma questão de valores, sexos ou gêneros; são uma questão de humanidade.

A minha vontade, juro por Deus, foi de ficar pelada e sair andando pelas ruas. de ir pelada para a praia, em protesto. Mas lembrei que não estou em uma terra de seres humanos, estou em uma terra de homens. 




21.5.16

Online



Por que não vira um hacker?
Por que não vira um stalker?
Vai deixar as coisas assim?
Por onde anda você agora?
Vai aceitar fácil que parti?
Por que não me procura?

Havia coerência em suas incoerências?
Então era verdade o que me fez fugir?
Vai apenas voltar para a vida de antes?

Como faz?

Você não precisa de respostas?
Sua vida não tem perguntas?
Ser ou não ser?

Tanto faz?

O que vai fazer hoje sem mim?
Para onde irão seus desejos?
Então era tudo mentira?
Então é isso mesmo?

Esse encontro aconteceu mesmo?
Foi só um exercício de eu?
Foi entre nós dois?

Talvez eu fique sem saber
Talvez eu até já saiba
Talvez eu até fique
Talvez eu saia
Talvez doa
Talvez








Está bom para você?


A escravatura e a submissão não são mais toleráveis no mundo moderno e quando acontecem atingem apenas os vulneráveis, longe das vistas de quem pode ter voz — hoje se atos como esses forem des-cobertos há consequências imediatas e graves. Parece até que o mundo melhorou. Só que não.

Olhando em volta o que vemos são tempos de individualismo total. Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu também. O egoísmo virou sinônimo de liberdade, quando é o oposto, porque sempre fere a liberdade do outro. Estar as voltas apenas em torno do próprio umbigo definitivamente não é a resposta para todos os absurdos que o homem já fez com o próprio homem.

Ninguém aguenta mais nada, tudo está superficial, rápido e chato, Ninguém mais quer gastar tempo entendendo o outro, alcançando quem quer que seja. Tudo tem que ser em modo industrializado, senão não serve. Next!

Mas não ter tempo para o outro e não ter tempo para nós mesmos, afinal somos como um espelho; tudo o que fazemos se reflete em nós mesmos; e isso não é papo de Bíblia, não tem fundamentos religiosos; isso é o que é, isso somos nós.

O melhor caminho é o do meio, é a parceria, o tem que ser bom para mim e para você também. Isso vale para todas as relações: com o trabalho, amores, amizades, vizinhos; com a sociedade, com a natureza. Descobrir a parceria será como descobrir a roda, ela é que vai nos ajudar a construir, pavimentar, levantar o que teremos pela frente.

Temos que aprender a parar, respirar, perceber, contribuir, esperar. Não podemos querer ter o ritmo das máquinas que usamos ou o clichê dos clichês será fato: as máquinas é que irão nos usar. E para onde iremos? Tem alguém feliz no meio disso tudo?

Não estou falando dos momentos de exceção, dos prazeres das viagens incríveis, da diversão com amigos, do abraço de um querido, de um bom livro, de um delicioso vinho. Afinal, isso é para quantos? E podemos fazer isso o tempo todo? Estou falando do dia a dia, do todo dia, da vida na rotina. Está bom de verdade para alguém?

Por isso, o final dessa conta para ser positiva e valer a pena tem que ter parceria, tem que passar pelo outro. O que você faz tem que ser importante também pela contribuição do outro e tudo deve ser reconhecido e retribuído. A nova identidade tem que incluir mais de um , senão não vai dar certo. Vamos subtrair, subtrair até zerar, até não sermos mais nada. E isso não é pessimismo, nem praga, é matemática!




14.5.16

Decisão



Arranque a página.

Algumas vezes só virar não basta...




Foto: “Lesson of History” (2012) de Agatha Michowska