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30.11.18

E quem...


(...)

E quem poderia dizer...pensar...supor...perceber...
Que eu sentada no metrô, quieta, escutando música no meu headphone
Estava passeando minhas mãos pelas suas pernas, entre suas coxas apertadas
Explorando suas extremidades com toques suaves, fazendo leves pressões aqui e ali
Subindo pelo peito, deslizando pelos seus braços fortes...pescoço até apertar sua boca
No exato momento em que eu sentava não nesse banco que estou...mas em você...com vontade...




26.11.18

Pedro Munhoz


Morrer

Tenho morrido muitas vezes,
Depois, respiro fundo,
Lavo o rosto, sigo em frente.
Não é fácil morrer,
Difícil é renascer,
Fingir-se de sol,
Cegar a lua,
Beber o mar.
Detestável seria ter a covardia
Dos que me mataram.
Eu sigo renascendo,
Eles seguem covardes.

(Pedro Munhoz)






Photo: Sunbaker, Max Dupain, 1937  (sepia version)






23.11.18

Off



Te vejo agora com olhos de quem vê televisão
Nossa energia não corre mais pelo mesmo fio
Nossa conexão depende de ligações externas
Melhor cessar as imagens, calar os sons
.
.
.
...desligar



18.11.18

Verbo


Se amar pode assustar e aprisionar...
Então eu agora escolho apenas emanar...

E como você recebe esse repentino desapego?
Ele convida você a soltar-se e voar pelo céu imenso?
Ou faz você perceber e querer de volta o chão que perdeu?





16.11.18

Despertar



(...)

E há dias em que você acorda não para um novo dia, mas para uma nova vida...









13.11.18

Eu penso que...


Prosperidade é uma atitude!


“Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.” (3 João 1:2)



11.11.18

Lavanda


Passeio por entre um campo aberto
No horizonte vislumbro caminhos
A natureza conversa entre ela
O céu está enfim descoberto
Meus olhos se deleitam
Com a imensidão

Ando e roço os ramos de flores
Provocando os seus perfumes
Respiro e sinto encantos
E agradeço por estar
Em minha própria
Companhia



10.11.18

Fluxo


(...)

E chega finalmente uma hora que
Você sente que não quer mais
Nem amar nem desacatar

Você só quer
Seguir sua

Vida

9.11.18

Real




Hesito em sair de vez da cena, busco chaves, resgates
Ensaios, fantasias repletas de portas trancadas
...que eu nunca entrei

Um corpo vivo fica abandonado no caminho
Labaredas lânguidas lambem o mundo
...mas há pouco oxigênio

Te mordo, depois assopro
Te bato, te empurro
Depois te beijo
Te aperto
Te quero

Entre razões e emoções
Eu inventei você

Até aqui


8.11.18

Fim


(...)

E toda aquela vibrante vida cessou
Depois de impiedosas machadadas de ar
Que cortaram, deceparam e despedaçaram

Danos invisíveis pararam...aquele coração



6.11.18

Desejos


Há desejos...

Que estão aqui, mas não são
Desse tempo, dessa data, dessa era

Que nascem sempre no meio
De resistências, dificuldades, impedimentos

Que crescem sempre lutando
Com padrões, com o aceitável, com as expectativas

Que são essencialmente rebeldes
Atravessam todos os tempos, sobrevivendo secretamente


Vivendo de frenesis clandestinos
Atrás de portas, debaixo de mesas, embaixo de roupas, em cima de muros

Vivendo de trocas coniventes
De olhares, de palavras, de roçares de pele, mãos, dedos, braços, ventres, pernas

Vivendo de ousadias cúmplices
Sempre no escuro, no privado, entre sussurros, deleites domados e silêncios calculados


Renascendo repetidamente pelos séculos, sempre limitados, impedidos, proibidos, torturados

Para nunca viverem tudo que são e ameaçarem desestabilizar os padrões vigentes suportáveis

Para nunca desafiarem o que as pessoas reconhecem como aceitável e permissível


Então eles alternam encontros, separações, persistências e...êxtase

Com reencontros, separações, persistências e...êxtase

E seguem assim...a própria natureza

Sendo apenas desejos


5.11.18

Fato é...


Você pode ser rico
Você pode ficar rico
E ser sempre medíocre

Alguém  pode ser pobre
Alguém  pode ficar pobre
E se manter sendo incrível

Prefiro esse tipo de humano
Ficar perto de gente medíocre
Me provoca alergia, convulsões

Minha inteligência não suporta
Meu espírito não se conforma
Meu corpo se atira pra fora

Todo o meu ser rejeita
Expulsa, vomita
Sem dó...
Xô!




4.11.18

Fases


Quando você evolui sucessivamente
Percebe quando a pele velha começa a sair
Sente o momento que um novo casulo rompe

E lida melhor com as dores desse movimento
E para de usar a força para abreviá-lo
E abre mão de apressar o processo

Não é uma questão de pressa
Crescer é uma questão de buscas
E de tudo o que acontece...no meio delas

3.11.18

Resquícios


Aviões caíram
  Fogos arderam
    Mares secaram
      Pássaros voaram
        Desertos racharam
          Prédios desabaram
            Montes soterraram
              Corpos incendiaram

 Até que
         Faltou ar
                 Faltou chão
                             Doeu

E tudo o que ficou foram...textos


2.11.18

Perspectiva


O que faz você sentir que olha de baixo
Pode ser algo que esteja te convidando
A olhar para o próprio tamanho

Quais são os seus parâmetros?
Quais são os seus ângulos?

Você pode sentir-se pequeno
Você pode sentir-se grande

Isso pode te fazer diminuir
Isso pode te fazer expandir

Isso pode te fazer encolher
Isso pode te fazer crescer

Isso pode te fazer saltar
Isso pode te fazer voar

Qual é a escolha?

Ser generoso
ou egoísta?

Com...você



1.11.18

Barro


Suas ações
Suas reações
Suas posições
Suas percepções
Suas resistências

Seus pensamentos
Seus sentimentos
Seus contornos
Seus limites
Seus fins

Eu não te vejo
Eu não te tenho
Eu não te conheço
Eu não te reconheço
Eu não te compreendo
Eu não te desencaminho

Fiz cordilheiras de areias
Fiz labaredas de faíscas
Fiz estradas de trilhas
Fiz portas de frestas
Fiz mares de gotas
Fiz você de mim

Eu inventei você




31.10.18

Salvo-conduto



O amor libera salvo-conduto
Para vir, ir e vir de novo
Para ultrapassar linhas
Para errar à vontade
Para voltar atrás
Para dar tempo
Para ajustar
Para ficar

Partir
Parar

Arar
Ar




30.10.18

Terminal


Um ar novo chega forte
Portas e janelas se abrem...
Memórias de fatos voam por elas
E com elas, desejos não realizados
Que, despegados do espaço e do tempo
E sem fôlego para ficar, viram movimento

Melhor preservar a leveza e o contentamento
De tudo que foi vivido ou apenas evocado
De tudo que  foi consumido à exaustão
De tudo o que sentimos só o gosto
Deixando ir com olhos abertos
Deixando ir todos os apegos

Há algum pesar na passagem
Mas se o que ficou é bom
Essa hora não é ruim
Fechou um ciclo
Abriu um novo
Mais rico
Porque
Valeu



29.10.18

Depoimento



(...)

E quando dei por mim, deu um click...
Eu finalmente eu havia perdido todo o medo

De respirar...

De ir ao encontro
De ganhar ou perder
De dizer o que penso
De ficar rica ou pobre
De errar e encarar isso
De sentir como eu  sinto
De desprezar os  roteiros
De dizer não ou receber não
De rejeitar o que eu não quero
De enfrentar minhas fragilidades
De dar muito certo ou muito errado
De me expressar como eu bem entendo
De desobedecer o que não me representa
De viver...

Não sei se é corajoso ou suicida
Se é maduro ou infantil

Pouco importa
Foda-se
Essa
Sou
Eu

28.10.18

Cura


O médico estava embargado, olhando baixo, escolhendo cirurgicamente cada palavra...

Ela precisou resumir aquilo tudo:

- Dr, sejamos práticos e objetivos: quanto tempo eu tenho de vida boa, sem ter que me submeter a tratamentos violentos que irão me matar muito antes do meu último suspiro?

Ele arregalou seus olhos muito azuis e gaguejou...

- Mas, bem...como assim...como...você não quer fazer o tratamento? Eu recomendo que...

Ela precisou interromper aquilo tudo:

- Não importa, apenas me responda: quanto tempo posso viver a minha vida como ela é hoje, sem hospitais, remédios pesados, tratamentos massacrantes?

Ele pausou, respirou, pensou, ficou duramente sério,  e respondeu firme

- Não tem como eu ser preciso, depende de vários fatores, depende de você, da sua natureza...mas não muito mais, alguns meses, acredito que uns quatro a oito.

Ela precisou absorver aquilo tudo. Um silêncio falou bem alto...e ela continuou firme

- Entendi. Que seja. Se eu tiver que ir embora prefiro ir pela porta da frente acenando...

Alguns meses se passaram...

Ela está de pé, procurando no seu pote de remédios um  para uma dor de cabeça que não quer ceder, quando percebe que ele a observa...Ela sorri como sempre acontece quando vê aqueles olhos muito azuis despertando...

Ele também sorri preguiçoso pra ela...

Ela então faz a pergunta que acordou com ela.

- O que fez você se apaixonar por alguém, digamos, derradeira...com um cronômetro no pescoço e...

Ele precisou interromper aquilo tudo:

- Você é de verdade e eu amo você por isso. Quero você até seu último dia e mais...

Ela pulou em cima dele, deixando a dor de cabeça ao lado do copo de água...para depois




27.10.18

Inóspito


(...)

Lá do horizonte, uma moto rompe o silêncio da estrada
Nela, um casal segue colado, mesmo sob um sol torturante
Rios de suor correm e encharcam as partes deles que se tocam
Mas eles ignoram o pedido de socorro daqueles corpos incendiados
Na verdade, eles sempre se divertem em desafiar condições impossíveis
E sentem imenso prazer em perceber que seus desejos sobrevivem...ao inóspito.



26.10.18

Explosão


Quando apertam meu botão errado
Quando verdades veladas me embaçam
Quando meus afetos são desconsiderados
Quando perdi sem ter tido nenhuma chance

Eu quero puxar o pano e quebrar a louça
Eu quero marretar o vidro dos carros
Eu quero colocar fogo na floresta
Eu quero pixar obras de arte

Eu quero machucar igual

Nem que as armas
Sejam palavras
Sejam textos
Pretextos
Eu reajo
Mal

Mas passa...


25.10.18

Pausa


(...)

Mais uma vez, ao ver as cenas de uma história na tela de cinema
Percebi que eu amo tal como os amores retratados em livros e filmes
Eu sinto nas veias, mergulho fundo, me jogo do alto, desafio os limites
Então, que seja de ficção, de literatura, de cinema...desde que me arrebate
Porque diferente disso eu acho raso, acho frouxo, acho datado, acho vulnerável
Porque sempre amo apaixonadamente, como se fosse pela primeira ou pela última vez

Talvez eu tenha uma alma de artista ou um coração de poeta, e não vou fingir que não

Mas poetas também descansam...

24.10.18

Martha Medeiros


"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente."
                                   
 (Martha Medeiros)      


                                                   

23.10.18

Ploc!


Ploc
Ploc
Ploc
Ploc
Ploc
Ploc
.
.
.

Ploc
.
As fichas
Agora caem
De uma vez só
Sem parar, sem dó
Até a última cair
Expor e pagar
De uma vez
A aposta
.
Ploc
.
.
.
Ploc
Ploc
Ploc
Ploc
Ploc
.
.
.
Ploc!


22.10.18

360 graus



De volta ao foco
De volta à calma
De volta pra mim
De volta ao ponto
De volta ao início
De volta ao futuro

De volta sem voltas

Cheguei.








2018

21.10.18

John A. Shedd



" Um navio está seguro no porto, mas não é para isso que os navios foram feitos "

                                                              John A. Shedd







2018

20.10.18

Escolhas...



O vagão do metrô treme

Ela está imóvel, seus olhos vagam pelo espaço
Ela não está viva naquela cena, é uma estátua

O ar-condicionado está gelado

Mas da nuca dela escorre uma gota  preguiçosa
Entra no vão da coluna, descendo pelas costas
Encontra o cós da calça, se esticando bem fina
E não para nem ao tocar o elástico da calcinha

Nesse momento ela estremece

No debate paralisante entre a razão e a emoção
O seu corpo prefere pensar e agir independente
Nele não há dúvidas e nem confusão, só desejos
Parece que ela ficou nua no meio daquela gente
Sem ter como ocultar o peito aberto até o sexo

A estação chega, ela corre pra sair

Caminha cegamente até sua casa
Sem cumprimentar conhecidos
Sem desejar uma boa noite

Entra rápida no elevador
Avança pelos corredores
Abre a porta depressa
E cai direto na cama

Não para descansar
Tampouco dormir

Cerra os olhos
E cede a ele
Escondida
Protegida
Entregue

Por uma
Última
Vez



2018





18.10.18

Começo...


E bem no final de todas as contas...
Ela se apaixonou pelo seu próprio amor

Por todas as inéditas emoções que sentia
Pelas cenas maravilhosas que visualizava
Pela potência que considerou fato concreto
Pelas sintonias que tornaram-se depoimentos
Pelos fragmentos transformados em monumentos
Pelas músicas que formaram uma incrível trilha
Pelos desejos que sacudiram a rotina do dia a dia
Pelos sorrisos que ativaram músculos desconhecidos
Pelas palavras que bailavam dela depois dos capítulos
Pela provocação que tanta vida fazia ao preguiçoso óbvio

Ele, no duro, era apenas um cara disponível...até não ser mais.
E quando ela se deu conta, pegou seus sapatos e partiu de calcinha
Ela não tinha mais tempo a perder...um começo a esperava longe dali



2018 

16.10.18

Índole


Eu cedo
Eu arrego
Eu acredito
Eu questiono
Eu volto atrás
Eu pago pra ver
Eu me contradigo
Eu mudo de opinião
Eu dou a cara a tapa
Eu não desapego fácil
Eu raspo e lambo o tacho
Eu experimento até o final
Eu sugo até as últimas gotas
Eu sou infiel ao que não quero
Eu dou oportunidade ao improvável
Eu caminho na escuridão sem lanterna
Eu fico cega com a claridade em excesso
Eu entro na chuva e me molho até os talos


Eu não presto...




2018

15.10.18

Decreto


(...)

Só quero ouvir as músicas que adorei
Só quero dançar onde posso me espalhar
Só quero comer o que atiça a minha saliva
Só quero sair de casa para o que me faz bem
Só quero vestir o que me cai confortavelmente
Só quero falar para quem tem interesse em ouvir
Só quero gastar meu tempo com o que não me custa
Só quero amar quem consegue receber todo o meu amor
Só quero ser exatamente eu mesma sem economia alguma

Porque tudo o que é bom tem que ser com exagero e sem pena...




2018

14.10.18

Eu penso que...




A vida não deve ser chata, nem óbvia e nem roteirizada...a vida tem que ter vida!


2018

13.10.18

Ensaios eternos


Ele a observa calado, imóvel, através do vidro da janela
Entre as cortinas que as vezes abrem e revelam a imagem dela
Ela se move, tira roupas, mexe nos cabelos, escuta música e dança
Ela cria uma bela coreografia com seus movimentos e, de repente, para
Ela ameaça olhar na direção dele. Ele se abaixa rápido. Ela sorri sem olhar
Ele se esconde, pensa em sair, mas ela não aparece entre as cortinas que bailam
Ele acha que ela sabe que ele está ali ; ela também acha que ele sabe que ela sabe
Ele nunca se apresentará a ela; está hipnotizado pelo que vê, mas jamais irá tocá-la
Ela o incluiria na vida, na cena, na cama; nú sob lençóis, braços fortes atrás da cabeça

Platéia perfeita...



2018

12.10.18

Véus


E é isso que dá mexer com o que estava quieto
Um simples gesto que gera um choque violento
Que faz tempestades desafiarem a bonança
E dos dias novas provas de resistência
Então por que não passa de verdade
E cala a mentira de que está OK
E me deixa sair desse lugar
Sem levar você comigo
Escondido em véus
Que só não vê
Quem não
Quer
Ver




2018

9.10.18

Natureza


(...)

Sim, é fato, eu continuo com uma natural tendência de desbravar
Mas ela agora está desprovida da arrogância de querer mudar cursos
Aprendi que só mudamos a trajetória de rios com violentos artifícios
Também não espero mais que a luz do sol consiga iluminar todos os dias
E nem ignoro mais o que a noite estrategicamente não revela em suas brumas
A jornada finalmente tornou-se mais importante do que o fins que a originaram
E as surpresas pelo caminho muito mais prazerosas do que paraísos que não existem


2018

6.10.18

Livre

(...)

Não me lembro exatamente como começaram meus grande amores; alguns casos esqueci, de verdade; algumas esbarradas serão para sempre memoráveis, mas também não me ocorrem detalhes. Eu só me lembro (muito bem) que eu ainda tenho vontades...


2018

18.9.18

Lado B



Ele atiçou a paixão nela
A fez vestir-se com robe de cetim
Saltos altos, lingerie, brincos importantes
Nas mãos uma taça de vinho bom marcada de batom
Recebia sempre mensagens com promessas interessantes
Mas ela avistava apenas navios vazios da sacada da janela
Sem ela passeando no convés de maiô com chapéus de abas largas

Os dias passaram e ela meteu-se de novo em um confortável moleton
Limpou o makeup, soltou os cabelos e foi ver séries na Netflix
E as mensagens continuaram com promessas agora sem chances
Nas mãos um café quente com torradas em uma xícara alva
Pés descalços, calcinha antiga de malha, sem adornos
Despida do menor anseio ou de expectativas
Ele atiçou a simpatia dela


2018

4.9.18

Casta!



Acalmada, acatando calada
Sem evocar ninguém
Sem provocar nada
Sem me mexer
Sem roupas
Sem você
Casta!

Até que se prove o contrário...

Amém.




2018

2.9.18

Vidas veladas



Assisto coisas desacontecerem
Vontades padecerem até morrerem
Sentimentos crescerem e implodirem
Caminhos e perspectivas se perderem

Vejo coisas debaixo dos panos
Eclipsadas sob espessas neblinas
Reveladas pelo vento nas cortinas
Escancaradas em portas entreabertas

Escolhas de vidas higienizadas
Embaladas em versões convenientes
Onde o melhor é permanecer no lugar
Onde o maior gasto de energia e emoção
É para conservar exatamente tudo como está

Tudo deve permanecer limpo e sem arranhões
Nada de riscos, mudanças e imprevistos
Como um brinquedo desejado e caro
Que algumas crianças ganham
Mas que quase não tocam
Para não "estragar"


2018

31.8.18

Round


Destituindo toda a paisagem ao redor
Que até então parecia estar apaziguada
Um passeio inesperado a trouxe de volta
Para um terreno escuro,difícil de trafegar
Obrigando-a  a se movimentar sobre escombros
Tropeçando, se ferindo, enfrentando  seus medos
E o que poderia parecer um exercício autodestrutivo
Revelou-se uma interessante oportunidade reconstrutiva
Porque não erguemos nada sobre os restos de uma edificação
Erguemos sobre um terreno limpo, livre de cascalhos e passados
E, para tanto, temos que superar a dor de encarar o trabalho árduo
De quebrar belezas que já não nos servem, derrubar alicerces, paredes
E retirarmos cada pedaço que sobrou deles para abrir espaço para o novo



2018

7.8.18

Cecília Meireles




Não seja o de hoje.
Não suspires por ontens....
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.

Cecília Meireles

6.8.18

Espaço

Desocupado
Renovado
Arejado
Inteiro
Branco
Aberto
Pronto
Amplo
Limpo
Solto

Para

Amar
Viver
Tocar
Gozar
Trocar
Curtir
Receber
Encaixar
Experimentar
Que venham novos....textos...





2018

29.7.18

E se...



E se nós...
Se talvez...
E se você...
Será que se...
E se eu não...
E se o tempo...
Ninguém sabe se...
Quem pode dizer se...

Bem, se é assim...que seja.

Mas, e se...







2018

27.7.18

Feito


Decidi que me quero de volta
Com toda a minha vibração esfuziante
Com minha falta de medo de quebrar regras
Com essa vontade de alçar que nunca passa

Decidi me olhar no espelho e me ver de novo
Com a beleza que perdi e com a que ganhei
Com as minhas certezas desconcertantes e
Com as dúvidas que nunca me detêm

Decidi não me importar
Decidi por mim
Decidi assim
Decidi


2018

25.7.18

Aprendi que...





Nem tudo é para realizar
As vezes são apenas ensaios
E querer ir muito além disso
Pode abreviar o espetáculo

Que já estava acontecendo...








2018

21.7.18

Limpeza...


De repente, vem uma chuva forte
Primeiro ela molha, depois inunda
Tudo que estava largado, ressecando

A chuva corre por canteiros abandonados
O cheiro da terra sobe, evocando perfumes
Mas o solo apenas alaga, nele nada germina

A chuva então cai somente para varrer e limpar
Não há raízes ou sementes, só trilhas de pedras
Meras lembranças de um jardim que nunca floresceu


2018

12.7.18

Somos todos replicantes


Cada pessoa tem uma impressão digital que a distingue, assim como um DNA. Somos seres únicos, cada um com seus particulares talentos, com suas próprias dificuldades e com uma capacidade única de ampliar o que tem de bom ou potencializar o que tem de fraco. Escolhas.

É interessante observar que, no entanto, o mundo como foi criado pelo homem, o tempo todo tenta enquadrar todos: uma forma de pensar, um comportamento a seguir, uma expectativa a cumprir, um modo de vestir, uma maneira de se comportar, um roteiro a seguir. O pior é que todos, quase na totalidade, sempre aceitaram isso como gado. É histórico.Tudo sempre mudou, mas quando mudou virou om novo padrão para todos.

Mas isso agora está grave. As pessoas estão ficando com pânico de querer, de mudar de ideia, de conseguir, de desistir, de insistir, de conquistar, de perder. A humanidade continua regida pelo medo, só que em cargas maiores. A grande ousadia da vida hoje é o mais simples: o ser você. Como com tanta informação, amplidão e possibilidades, isso está ficando mais difícil, ao invés de ficar mais fácil?

As redes sociais, a grande vedete das relações contemporâneas, por exemplo, cresceu como a promessa de um canal para todos se expressarem e destacarem suas individualidades, mas todo mundo quer ser igual a todo mundo; todo mundo quer gostar do que todo mundo está gostando, sem ao menos se perguntar se o que o outro demonstra é autêntico e se lhe cabe.

O mundo está virando um gigantesco faz de conta, onde frase de efeitos, fotos editadas, filtros manipulados, motivações estratégicas e perfis falsificados de si mesmos revelam que, na verdade, ao contrário do que se propaga, ninguém é perfeitinho e tão feliz, e a maioria sequer está satisfeita com a própria vida.

Gerações anteriores se debateram, se rebelaram. gritaram, lutaram, questionaram, atacaram, e até morreram por rejeitar dezenas e dezenas de padrões impostos pelo mundo do que é bom, certo, bonito, válido, tolerável. 

E agora? Em plena era dos haters, que descuidam da própria vida para apontar o dedo para quem eles acham que não está sendo o suficiente perfeito na própria? E agora? Na era das fake news, que desbancaram o perigo das informações manipuladas pelos veículos oficiais de comunicação, criando simplesmente do nada, o que possa servir a quem interessa ou apenas entreter ao avesso? E agora? Com a internet colocando os vulneráveis ao alcance fácil dos predadores?

Estamos anulando as emoções pelo o que é conveniente, deixando de olhar e conhecer o outro,  deixando de aprender sobre de quem fato somos. Estamos falhando na compaixão, enfraquecendo na honestidade, preferindo o que e quem é mais fácil; o que e quem está ao alcance; o que e quem é mais aceitável ou tem um status mais compatível com nossos anseios emprestados. Estamos desabilitando os sentimentos, virando clones de nós mesmos, replicantes de Blade Runner!

E o que faremos? Gritar socorro, mostrar-se preocupado, reconhecer, reagir, negar, mudar, revolucionar, nada disso está entre os trends. O que podemos fazer, na verdade, está nos fóruns íntimos,  no cara a cara com o espelho, no deitar no travesseiro, no olhar para o próprio umbigo e se perguntar: O que que é que eu estou fazendo? Para onde estou indo? É isso que eu quero? Está bom pra mim? Quem eu realmente sou? E...assumir tudo isso para si mesmo e, depois, para o universo.

Parece simples, apenas um jogo de perguntas, mas a questão é que não vai adiantar recorrer à respostas padronizadas, porque não se trata de apaziguar as insatisfações de clientes em uma espécie de SAC da vida. Trata-se da sua existência, da sua essência, da sua alma, do seu destino, de você.

E o livre exercício de ser exatamente quem você é que está comprometido nesse emaranhado de padrões que se repetem a cada consumo desnecessário, a cada post, a cada vídeo, a cada meme propagado, a cada mensagem vazia, a cada link compartilhado, a cada pensamento que não se alonga, que não se desenvolve, que é interrompido por esse excesso de atenção fragmentada que está nos arrancando de nós mesmos.


2018




11.7.18

Maya Angelou



Aprendi que, aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de natal emboladas.
Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando eles saírem da sua vida.
Aprendi que ganhar a vida não é o mesmo que ter uma vida.
Aprendi que a vida, às vezes, nos oferece uma segunda oportunidade.
Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora. Temos que saber retribuir também.
Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração aberto, em geral tomo a decisão certa.
Aprendi que mesmo quando tenho dores, não preciso me tornar uma.
Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém.As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir. 

(Maya Angelou)