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28.10.18

Cura


O médico estava embargado, olhando baixo, escolhendo cirurgicamente cada palavra...

Ela precisou resumir aquilo tudo:

- Dr, sejamos práticos e objetivos: quanto tempo eu tenho de vida boa, sem ter que me submeter a tratamentos violentos que irão me matar muito antes do meu último suspiro?

Ele arregalou seus olhos muito azuis e gaguejou...

- Mas, bem...como assim...como...você não quer fazer o tratamento? Eu recomendo que...

Ela precisou interromper aquilo tudo:

- Não importa, apenas me responda: quanto tempo posso viver a minha vida como ela é hoje, sem hospitais, remédios pesados, tratamentos massacrantes?

Ele pausou, respirou, pensou, ficou duramente sério,  e respondeu firme

- Não tem como eu ser preciso, depende de vários fatores, depende de você, da sua natureza...mas não muito mais, alguns meses, acredito que uns quatro a oito.

Ela precisou absorver aquilo tudo. Um silêncio falou bem alto...e ela continuou firme

- Entendi. Que seja. Se eu tiver que ir embora prefiro ir pela porta da frente acenando...

Alguns meses se passaram...

Ela está de pé, procurando no seu pote de remédios um  para uma dor de cabeça que não quer ceder, quando percebe que ele a observa...Ela sorri como sempre acontece quando vê aqueles olhos muito azuis despertando...

Ele também sorri preguiçoso pra ela...

Ela então faz a pergunta que acordou com ela.

- O que fez você se apaixonar por alguém, digamos, derradeira...com um cronômetro no pescoço e...

Ele precisou interromper aquilo tudo:

- Você é de verdade e eu amo você por isso. Quero você até seu último dia e mais...

Ela pulou em cima dele, deixando a dor de cabeça ao lado do copo de água...para depois