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6.11.18

Desejos


Há desejos...

Que estão aqui, mas não são
Desse tempo, dessa data, dessa era

Que nascem sempre no meio
De resistências, dificuldades, impedimentos

Que crescem sempre lutando
Com padrões, com o aceitável, com as expectativas

Que são essencialmente rebeldes
Atravessam todos os tempos, sobrevivendo secretamente


Vivendo de frenesis clandestinos
Atrás de portas, debaixo de mesas, embaixo de roupas, em cima de muros

Vivendo de trocas coniventes
De olhares, de palavras, de roçares de pele, mãos, dedos, braços, ventres, pernas

Vivendo de ousadias cúmplices
Sempre no escuro, no privado, entre sussurros, deleites domados e silêncios calculados


Renascendo repetidamente pelos séculos, sempre limitados, impedidos, proibidos, torturados

Para nunca viverem tudo que são e ameaçarem desestabilizar os padrões vigentes suportáveis

Para nunca desafiarem o que as pessoas reconhecem como aceitável e permissível


Então eles alternam encontros, separações, persistências e...êxtase

Com reencontros, separações, persistências e...êxtase

E seguem assim...a própria natureza

Sendo apenas desejos