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Fernando Pessoa

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Pouso

(...) Tudo já havia passado, repassado e acabado Mas alguma parte dela insistia em não apertar o end Uma vontade decidida em saber se ela era 'para sempre' De algum modo, em uma nota, uma referência, uma emoção. Porque ele era para ela de algum modo, nota, referência, emoção. Ela não queria deixar isso por aí, vagando, no ar, sem ter onde pousar. Art Photography: Rich Froman

Chegada

Se você não sabe quem é Sua vida pode ser mais fácil Mas não será  rica e prazerosa  Como a de quem busca ser o que é Paga essa conta alta, se expande e vai Não para um lugar calmo, perfeito ou divino  Mas para o imenso oásis que é ser quem você é Artwork: Laura Zalenga

10 Imprescindíveis NÃOS!

Não me entrego Não me acomodo Não mando recado Não fico engasgada Não perco mais tempo Não enfeito mais pavão Não me engano por pouco Não me deixo dominar por medos Não tento mais falar grego com troianos Não tenho mais medo de falar ou ouvir nãos Artwork: Peggy Collins

Muitas coisas que amo

Chocolate Comer bananas Tomar espumante O filme Amélie Poulain A minha própria companhia Descobrir músicas novas no Spotify As tiradinhas espirituosas da minha mãe Mergulhar no mar bem fundo, furando ondas Escrever, me expressar, me descobrir, traduzir-me Dançar por horas em uma pista de música eletrônica Tirar fotos, olhar tudo exercitando ângulos melhores Uma noite encharcada de drinks, saliva, suor e fluidos Malhar e sentir todos os músculos do meu corpo vivos Ouvir música o dia todo, alimentando minhas playlists Dar risadas demoradas de bobagens com meus amigos O sorriso espontâneo dos meus filhos quando me vêem Ver arte, inspirar-me vendo visões fora de qualquer caixa Viajar para longe de tudo e todos, e para bem perto de mim A paz da minha casa e o aconchego dos seus detalhes afetivos Andar muito, observando, descobrindo, pensando, espairecendo Photo: Pedro Cury | Eu no Oi Futuro 2019

10 coisas que não gosto...

Quando a xícara balança e o café transborda, fazendo o líquido escorrer discreto, mas maculando o pires... De pessoas que não olham nos meus olhos, como se falassem atrás da vidraça fechada de uma janela. De pessoas que têm preguiça de sorrir porque, na verdade, não querem dar coisa alguma para pessoa nenhuma. De pessoas que falam sem parar, sem respirar, emendando assuntos, evitando contato até com elas próprias. De pessoas sem responsabilidade emocional, que provocam e cativam apenas para mero entretenimento do outro De grosserias gratuitas, não provocadas, não justificadas, verdadeiras "pedras em gatos" De horários impostos que brigam com o meu relógio interno e me roubam tempo bom.  De situações com começo, meio e fim, mas sem palavras, ações, fatos; alimentadas e sacrificadas na covardia da subjetividade. Quando ignoro minha intuição e percepção e insisto, mesmo quando eu toda digo não. De ver os olhos da minha mãe tristes. São como ver feridas em deuses. Artwork: Giulia

Lalande

Ela estava ali, de saia grudada nas pernas molhadas, blusa larga ao vento, ombros à mostra, nua. O mar dissipou sua solidão, enchendo seu instante de sons brandos e carícias macias. Ela olhava para um horizonte que não enxergava, mas pressentia. Uma brisa anunciava que ela não se deteria ali, que  não se deteria mais. Sereias a olhavam escondidas entre as pedras, marinheiros nadavam para longe. No mar não havia embarcações, apenas água, infinito, e todas as possibilidades que submergiram para acompanhá-la na volta para ela mesma. Sereias a olhavam escondidas entre as pedras, marinheiros nadavam para longe. Seu corpo, agora em movimento, foi  desaparecendo na areia; sumindo depois entre as árvores, deixando o cenário sob silêncio; sem perguntas, sem respostas. Ela não estava mais sozinha: serenas certezas partiram de mãos dadas com ela. Lalande - Citação do livro Perto do Coração Selvagem de Clarice Lispector. Painting: Marco Busoni