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Mostrando postagens de Julho, 2013

Poemas de amor não existem!

Poemas de amor existem?
Se existem falam de quê?
Da felicidade, do céu azul e dos mares?
Poemas de amor não existem porque são chatos!

E quem vai querer ler um poema de um amor que é de outros?
Quem pode regozijar-se com uma alegria que não lhe pertence?
Poemas de amor não existem porque são abstratos!

Poemas de amor discursam sobre amores idealizados;
confortáveis sentimentos platônicos,
estáticos por não serem correspondidos,
ou simplesmente inalcançáveis.
Na verdade, o que existe são poemas sobre amores desagradáveis,
poemas de desamor!

Afinal, se alguém está ao lado de outro alguém que lhe inspire tal tema,
não se deterá a fazer poemas, se abandonará a fazer amor.


Artwork: Catrin Welz-Stein




Por todos os poros...

Ela se declarava por todos os poros; fazia passeatas, ostentava cartazes.
Diziam até que tinha no corpo uma coleção de tatuagens
Quando uma roda se formava no centro da metrópole, era ela que sambava e cantava desinibida.
No fim de semana na praia, flanando alegre nos aviões, lá estava sua paixão escancarada em bandeiras multicores.
No dia a dia, todos ficavam intrigados com as figuras abstratas recorrentes nas roupas que ela usava. 
A quem perguntasse, ela explicava, entre gostosas gargalhadas, que suas estampas eram sobre um amor, um peito e uma flecha.

E as horas passavam apressadas, enquanto pelas ruas ela compartilhava pensamentos, crônicas, poemas e cartas abertas. 
Sim, ela se declarava por todos os poros; enquanto ele sempre dizia a mesma coisa quando casualmente a via: Oi querida, como vai a sua família?

Photo: Ravshaniya

Entre amores

Há amores que são donos das nossas melhores lembranças
Há amores que com meros pensamentos nos arrancam sorrisos
Há amores que nos dão outros amores, filhos
Há amores que provocam a nossa alma com lágrimas
Há amores que só prestam como centelhas de poemas

Mas tudo vale mesmo a pena?

Se o coração ama
Se o coração respira
e oxigena a vida
Vale!

Artwork: Matheus Lopes

Os escritores...

E os dois se reencontraram entre livros. Ele em uma turnê promocional, ela em uma pesquisa para um novo trabalho. Quando os olhares se esbarraram, ambos ficaram constrangidos; ele desconcertado (como sempre) com a certeza do interesse dela, ela atrapalhada com o súbito aumento de temperatura que a presença dele sempre lhe causava.
Sem ter como desertarem daquele momento descombinado, se cumprimentaram, sorriram e elegantemente disfarçaram. Podiam ter parado ali, afiançados pela cordialidade e por um estudado espanto pela coincidência. Mas, destituídos de matemáticas exatas, continuaram conversando e acabaram relaxando em temas amenos em uma distância tacitamente calculada por ambos.
Mas o destino pretendia se divertir mais: colocou os dois juntos não só em uma cidade alheia ao cotidiano de ambos, mas no mesmo quadrado de um hotel. Ao se darem conta, os risos ficaram nervosos, mas foram aplacados por aquele ensaiado enredo desinteressado escrito a quatro mãos. Acabaram jantando juntos…