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Mostrando postagens de Outubro, 2013

Telegrama

Com breves palavras minhas lacrei nosso passado. Não havia mais o que dizer; os sentimentos arrombaram a porta e silenciaram o outrora. Estava claro que nos amávamos ainda, talvez até mais, mas também era evidente que fizemos tudo errado. Não podíamos recomeçar, era essencial zerar.
Até aqui seguimos roteiros que não escrevemos; tivemos atitudes ensaiadas por nossos antepassados, exigimos o que nem queríamos. Quem será era aquele casal que ousou viver de maneira tão insensata nosso amor em nosso lugar?

Para libertar o que em nosso peito explodia, e que contrariava o enredo até então apresentado, nos separamos e acabamos por nos transformar em nós mesmos. Um presente raro.
Descobri que eu não era ciumenta, como aquela mulher que a tudo vigiava; percebi que nem ligava se outras perto dele chegavam; realizei que não me incomodavam seus eventuais olhares admirados. Afinal, aquele homem estava vivo, seu sangue pulsava, seu gosto pessoal a tudo permeava, independente, mas era a mim que ele…

Fato.

Eu gosto de gente fora da fôrma.




Photo: Unknown artist