Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2015

Anjos & Demonios

Ontem fui com a minha filhota na Cobal do Humaitá tomar um café. De repente apareceu um rapazinho, bem educado e humilde, oferecendo chicletes com o maior cuidado do mundo para não incomodar. Ele precisava vender.
Imediatamente olhei diretamente para seus olhos e procurei dinheiro na bolsa para comprar alguns e ajudá-lo. Minha filha, para meu orgulho, dirigiu a ele seu melhor sorriso e escolheu os clicletes como quem escolhe iguarias em uma patisserie francesa. Ele ficou notavelmente feliz e devolveu nossa iniciativa com um sorriso cansado e tímido, mas muito sincero e tocante.
Ele então continuou a oferecer os chicletes, sempre com jeitinho, para outras mesas. Foi quando percebemos que a grande maioria das pessoas sequer olhavam para o rosto dele; agiam com a maior tranquilidade, simplesmente ignorando 100% aquele ser humano diante deles. Como se ele não estivesse ali, como se sua voz não fosse capaz de seu ouvida, como se ele não existisse.
É claro que ninguém é obrigado a comprar …

Stupider than stupid.

My apologies se o coração não é intelectual, se não tem réguas, não faz contas direito, desconhece qualquer planejamento objetivo e estratégico e deliberadamente ignora limites...it's just a stupid guy!
My apologies se meu coração reage apenas ao que sente e ao que fazem ele sentir...it's a crazy free.
My apologies se o seu coração age pelas suas costas, sussurra pelos corredores, telegrafa engenhosas mensagens e manda cartas perigosas à sua revelia...it's too much sassy.
My apologies se não estou mais afim de entender esse conflito de interesses entre vocês e, mesmo sob protestos do meu próprio coração...that's enough! 

Artwork: Unknown artist

Saldos & Calendários

E de repente o tempo passou e você está com uma idade em que os números, rótulos e estigmas apontam que você está começando a parar, enquanto na prática você esta mudando tudo, está revendo, recomeçando, construindo ainda...
E aí a pergunta vem: Porra, mas então qual é o meu saldo até aqui? E daí você percebe que nem precisa mais fazer contas, porque o saldo se revela exatamente proporcional ao que você quer e, principalmente, ao que você não quer mais a essa altura.
O principal é que não dá mais para suportar meias medidas: ou vai ou fica; ou quer ou não quer; entra todo ou nem encosta na borda; diz de uma vez ou fica calado; fuja da chuva ou não tema se molhar; coma merda sem contar calorias ou faça dieta sem se lamentar; prefira a facilidade de ser um personagem mas não me venha falar de profundidades.
E do que valeriam tantos anos e tanta vida se não fosse para você tentar conseguir se encontrar no meio de tanta confusão, de tanta informação, de tanto barulho, de tantas distrações…

Pra Sempre Menos Um Dia!

Me chama para escalar o Everest?
Quem sabe uma viagem espiritual a Machu Picchu...
Poderíamos ir beber na Lapa e ficar flertando com a vida bandida até de manhã.
Ou quem sabe mergulharmos juntos em um biblioteca para fuçarmos nossos autores preferidos?
Viajar para o Nordeste de carro pela orla e ir parando em todas as cidadezinhas que nos fossem simpáticas, pode ser?
Ou marcar um filme cult naquele sábado à tarde?
Comer até rolar aquele Bobó de Camarão de subúrbio, o que te parece?
Ou assistir aquele show de rock que gostamos no gargarejo gritando como dois adolescentes pirados...
Ficar um fim de semana inteirinho meditando, completamente calados, você toparia?
Ou talvez ir ao Maracanã ver nossos times jogando, e tirar na sorte o azarado que iria ter que assistir a partida em campo minado...
Poderíamos discutir a vida pela ótica da filosofia oriental, jantando em um restaurante japonês, que você sabe que eu adoro.
São muitas as possibilidades, mas estamos em uma bolha que nunca se romp…

Um dia de chuva...

Um dia de chuva é bom para pausar
Curtir as pequenas coisas
Dar um abraço apertado
Amar direito...

Photo: Agniribe Mada

Canibalismo

Ela olhou em volta e não reconheceu nada.
Os barulhos eram desconhecidos, as paisagens eram anônimas.
Não havia placas, mapas ou qualquer sinal do caminho que deveria seguir
Não havia escolha a não ser explorar sem pistas, no escuro, na tentativa e erro.
De repente, ela percebeu que estava se alimentando com restos da sua própria vida
E o pior, que precisava fazer isso para seguir em frente e tentar se recompor depois de tudo.


Artwork: Catrin Welz-Stein

Verdades customizadas

Vivemos a era das verdades customizadas.Não existe mais sequer as verdades relativas.
Cada um inventa sua própria versão dos fatos.
Ninguém se questiona, não encara os próprios equívocos, não evolui.
Tempos de homens pequenos e de grandes mentiras convenientes.
Artwork: Aykut Aydoğdu

Fog

A frase ecoava em sua mente, enquanto ela andava em círculos pela cidade. Ele já estava fora há mais de um ano e tudo o que recebia dele eram apenas curtidas em posts aleatórios (como puxadas de ar) que ela publicava em suas redes sociais. Ele comentava muita coisa de muitos amigos, mas nada dela. Quando o fazia eram frases genéricas em posts genéricos, nunca em expressões mais pessoais.
Ela se sentia como um brand admirado por um consumidor eventual, daqueles que compraram apenas uma pequena e interessante peça, sem gastar muito, por oportunidade, e jamais retornarão à loja, embora fiquem de alguma forma ligados a ela para sempre.
A última vez que se viram era tudo o que ela tinha. A intensidade, os olhares que escaparam, os suspiros que abafaram o que jamais seria dito; o corpo que o traiu no último abraço e puxou o corpo dela não uma, nem duas, mas três vezes para junto dele, enquanto beijos se arrastavam em seu rosto, fazendo força para não tomarem outros destinos.
Enquanto ele a…

Isaura e o Tempo...

Isaura estava com 30 anos, solteira e sem filhos, porque preferia viajar o mundo a ter que fazer parte do mundo de alguém.

Independente, vivaz, inquieta e obcecada por liberdade, ela era naturalmente arisca a relacionamentos, embora sempre discordasse que isso era verdade.
Fato é, que os prazeres de Isaura com as novidades de diferentes nacionalidades não cobriam sua carência de apoio, cumplicidade, abraços sem datas ou romances.

O que vivia em suas andanças nunca ia além de algumas páginas, mas um livro inteiro escrito era o que mais desejava. E o tempo, que não estava nem aí para os reais desejos de Isaura, simplesmente passava.
Isaura olhava interessada para qualquer homem de algum valor que por ela passasse. Ao se aproximar, com pretextos esdrúxulos e mal ensaiados, estabelecia uma paixão repentina e a vivia sozinha dentro de suas retinas.

Isaura via e acreditava apenas no que queria, na verdade, ela não queria se doar, só queria exercitar o verbo amar. Ela era por demais libertá…

Catavento.

Se você se sente desconfortável...
É sinal de que alguma coisa em você está se movendo.
Isso pode ser ruim, mas também é bom.
Ruim é ficar mofando em lugares que não te fazem feliz.


Artwork: Marcel Caram