Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2016

I do...

Não estou apta a dizer não a quem vem na contramão a quem chega sem julgar a quem deixa ser Não estou apta a dizer não a quem contraria o bom senso a quem desafia expectativas perfeitas a quem se deixa revelar Não estou apta a dizer não a quem não se rotula a quem não pede bulas a quem simplesmente é Não estou apta a dizer não a quem não tem GPS a quem abre a porta pra mim a quem recebe minhas bagagens Não estou apta a dizer não a quem turbina meus desejos a quem me vira do avesso a quem redefine meu prazer Artwork:  Aykut Aydoğdu

Êxodo

Nem toda conexão tem sexo As vezes é apenas motivação Nem todo sexo tem conexão As vezes é só ação e reação Nem toda motivação tem nexo Mas as vezes atinge todos os plexos Conexão, sexo, plexos e nexo é a perfeição Não me atenho mais a tal matemática complexa Meu destino é o hoje Photo:  Agniribe Mada

Recovery

Somos tudo o que temos Então temos que ser a nossa melhor versão O importante é usar tudo o que rola na vida Para constantes encontros com você mesmo O foco deve ser o movimento... Quem tem que ficar, fica Quem quiser ir, que vá. Artwork: Unknown artist

Mergulho

O medo as vezes é como um bote salva-vidas para certas pessoas Elas podem ficar ali, quietas, seguras, resgatadas de si mesmas Sem lançarem-se ao mar para evitar frustrações e riscos E escaparem ilesas dos maremotos e das revoluções Que acertos incríveis costumam provocar... É uma escolha deliciar-se nas ondas Apesar dos possíveis perigos Ou apenas ficar boiando Em águas amenas... Artwork: Hilary McCarthy

Pequena Morte

Era um primeiro encontro, cheio de informações desconexas, histórias que não se completavam, alegrias tolas, afinidades gratuitas. Falaram e riram sem reter nada. A questão era apenas estar perto, poder estar dentro. As afinidades foram tão intensas e combinadas que, por mais de uma vez, ele parou no meio e a encarou. Em outro momento foi ela. Medo?..mas ainda não havia respostas e nem tempo para procurá-las. Na despedida, meio desconcertada, ela foi saindo do carro sem deixar o aval do seu beijo. Ele não deixou: a puxou pelo vestido. Quando ela virou, a expressão no rosto dele falou mais do que palavras. Ela então pulou em seu colo, segurou seu rosto, afundou as duas mãos em sua barba, olhou em seus olhos e deu-lhe um descansado beijo. Ficaram ali, algum tempo, inertes por fora e aos turbilhões por dentro, até se soltarem com uma desafogante suspirada. No dia seguinte, um compromisso qualquer marcado na vida de antes afastou os dois da continuação desse eloquent