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Mostrando postagens de 2017

Sistema

Nós  somos  como os planetas ao nosso redor Precisamos nos manter perfeitamente  alinhados Atentos ao nosso próprio curso 24 horas do dia Cientes de quem somos e para onde estamos indo Qualquer negligência pode abalar nosso pequeno universo Esse quadrado particular que todos nós ocupamos no mundo Nascemos com a grande responsabilidade de saber quem somos E é essa árdua tarefa é que garante vida saudável no planeta Você Artwork:  Frank Moth

Mares

Quem não suporta... O contato desafiador com o mar O movimento incessante das ondas Todas as temperaturas de um mergulho Quem não sente prazer... Com sua imensidão Com sua escuridão Com seus mistérios Só entra no mar para se afogar... Em suas águas Em suas anáguas Em seu próprio medo Artwork:  Aykut Aydoğdu

Perspectiva 2

O mal não está em errar... Afinal, quem nunca Em menor Ou maior Grau? O mal Está no Que você faz Do seu erro depois. Se perpetua, ou rompe e cresce... Artwork:  Christian Schloe   

Muralha

(...) Subitamente ele se virou E com toda as suas forças Correu de volta para dentro Passou por oito pesados portões E trancou um a um com oito chaves e grossos ferrolhos em madeira maciça Mais adiante, subiu centenas de degraus E lá do terraço, protegido por seus guardas Com lanças e flechas viradas em direção a ela Murmurou para nem ele mesmo ouvir: Eu amo você... Artwork: Agnes Cecile

Destinos...

Medos são como passaportes expirados Você quer Mas não dá Então você fica E a vontade também Nada vai a lugar nenhum A diferença é que com os medos A passagem está sempre em suas mãos Você decide se fica no mesmo lugar de antes Ou se toma coragem de explorar novas paisagens Artwork:  Christian Schloe   

Maixxx

(...) Um sentimento  igual ao momento Em que retiram o doce da panela E você olha os cantos,as curvas E percebe lembranças gustativas E aí você lambe, lambe muito Raspa até não  ter mais nada Nada além do gosto da panela E  percebe que aquele  vazio Não combina com o seu desejo Então, para, sente e pensa... Teria te comido de colheradas! Artwork: Ugur Araz

Marés

No horizonte, quando uma maré forte Encontra um nadador sem medo de correntezas Eles se entendem nessa estranha sintonia entre opostos Que não para com os choques, cria movimentos Porque cada um bate no outro e volta Mas não volta o mesmo... Photo: Peter Müller

Vontades

Vontade dá Vontade vai Vontade vem Vontade passa? Pra onde passa? Pra lugar algum? Pra onde ela vai? Vai pra você... Vai além... Vai... Sem mim. Artwork:  Catrin Welz-Stein  

E por falar...

Um amor pode tocá-lo, transformá-lo e propagar-se de diferentes maneiras; pode virar filhos, frases, crônicas, poemas, músicas, filmes, livros, canecas, imãs, camisetas, lenços, moleskines, cartazes,  prints , blog, tatuagem e até uma exposição de arte. Afinal, algo tão raro e original não deve acabar apenas por uma decisão matemática de que se um mais um não é igual a dois, o resultado então tem que ser igual a zero. Um amor é mais do que uma questão pessoal, é uma dádiva universal. Faz bem ao mundo. Um amor quando surge em alguém, independente das somas inexatas da vida, deve expandir, ao invés de encolher; deve continuar sua jornada de iluminar brumas; deve ser uma inspiração para fazermos os dias melhores, para voltarmos a ter contato com uma realidade mais amena e mais relevante.  Ao invés de ser vítima de interrupções forçadas de sentimentos por incorrespondências ou vidas desconexas, um amor deve seguir adiante e completar seu ciclo até alcançar outro. Enc

Livre

(...) Não vou mais expulsá-lo com escândalos Não vou entrar em brigas corporais com ele Não vou matar meu amor e tão pouco afastá-lo Vou deixá-lo vagando por aqui... Me  agarrando pelos cantos cheio de braços Me atiçando pela casa com seu peito descamisado No sofá com suas coxas enormes desafiando o short Vou deixá-lo bem à vontade... Me dando beijos safados ao chegar do trabalho Me ajudando a lavar louças de cuecas todo lindo Na cama nu, me convidando sob um reticente lençol Vou deixá-lo se divertir mais... Photo:  Ловченко Антон

Delete

Ele olha o celular como se pudesse encontrar algo Mas não há vestígios dela nos arquivos de fotos Ela não está mais em nenhum dos seus feeds Seu nome não está na entrada dos emails Não há mensagens dela no WhatsApp Ela foi cirurgicamente banida Do seu mundo digital Em um corte seco Mas, como não há um chip para o coração Ele se deparou com sentimentos abandonados Sem a chance de um providencial botão de delete Para apressar o final... Artwork: Adam Hale

Entulhos

Se algo estava sendo construindo E desmoronou... Temos que voltar aos escombros Rever a estrutura Refletir sobre o que não funcionou Minimizar os danos Desapegar-nos do plano original Pensar no futuro Resgatar o que permaneceu inteiro Valorizar o que resistiu Usar isso para uma nova edificação Mais forte Mas para recomeçar Temos que voltar Revolver, nos sujar Recolher e remover Os entulhos Artwork: Paula Rosa

Prólogo

Há momentos que você precisa dar dois passos à frente E isso mudará completamente o cenário em que está hoje. Um movimento que precisa de toda a força do desapego De coisas que você já sabe que não estarão no seu futuro Não é minimamente fácil Um casulo a ser deixado Mas as cores e amplidões Só são vistas por quem se lança Artwork:  Larissa Câmara

Marcelo Caliman

Que grande poema O mundo teria, Se eu tivesse dos menestréis A maestria! Mas como me atreveria, Diga, Maria, Fazer de você meu tema, Se não fui eu quem escreveu Garota de Ipanema, Nem fui o tal que deu à luz A La Belle de Jour? A moça mais linda De toda a cidade Vai ficar sem poema, que pena, Não por falta de um poeta, Mas por míngua de literatura, Pois tão pobre é a minha Para pagar essa fatura E tão baixo me acho Para me alçar a tal altura. Fica apenas um lampejo Em minha memória, Maria Doria, Coisa de um piscar de olhos, De um beijo, Do que seria pra ti Minha poesia Que fugiu do meu peito, Que não consegui reter, Que saiu por aí a passear, Mas o mais lindo Que eu já vi passar. Marcelo Caliman P.S: Esse jogo de fotos aleatórias no meu perfil do Facebook inspirou esse  poema-presente  desse grande amigo que adoro e que mora no meu coração há décadas em um terreno com vista, jardim e pomar. #loveyou

Abra-te

Expressar-se é como respirar Se sua expressão está negligenciada Vai dar defeito em algum lugar em você Por falta de oxigênio... Photo: Fran Carneros

Matemática 2

Pode parecer adolescências de Tumblr Pode parecer apenas mais um texto clichê Pode parecer com frases cansadas de autoajuda Pode parecer algum tipo de romantismo  old fashion E talvez seja exatamente um pouco de tudo isso... Porque rótulos são apenas uma parte do todo Mas, nada do que é feito sem coração conta... Se o coração está em suas escolhas Se o coração comanda as suas reflexões Se o coração é o centro das suas motivações Se o coração é sincero em seus arrependimentos É de verdade É da Alma É do bem É além É. Artwork: Roborange | Flickr

Dimensão

Já experimentou olhar pra cima Ter consciência e sentir a amplitude Perceber que o não limite também existe? A vida pode ser uma caixa A vida pode ser um céu Onde você se ajusta melhor? Photo: Noell Oszvald

Meteoro

Há pessoas que entram na sua vida e ficam em seu registro emocional como amores frágeis ou incríveis; namorados ou namoradas memoráveis ou que tornaram-se apenas números de uma conta genérica; transas alucinadas ou frustrações retumbantes; uma companhia imperdível ou alguém que não conseguiu nem permanecer como amigo; uma diversão ou uma dilacerante decepção... Mas há quem entre apenas como fragmentos, na verdade, meteoros. Uma parte ínfima de algo muito maior que jamais veremos. Talvez uma reminiscência de outra vida. Algo que ilumina ao atravessar nossa atmosfera e impacta ao tocar nosso solo, causando certa destruição e um pouco de escuridão. Mas, algo que, pós-tudo, também nutre, germina e muda toda a configuração ao redor...além de qualquer registro a olho nú. Artwork:  Frank Moth

Corações Subversivos

Corações não podem estar em redomas de vidro Onde temos que pisar em ovos Escolher muito as palavras Falar baixo Corações não podem estar superprotegidos Com cercas farpadas Guardas uniformizados Fechados a oito chaves Corações não podem ficar remotos Sem enfrentar estradas Sem sentir os ventos Viver intempéries Corações têm que quebrar a porra toda! Artwork: Benjamin A. Vierling

Érico Veríssimo

Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento. Érico Veríssimo Artwork: Tânia Hanauer

Poderes

Mandamos na gente É só focar. Quer ser mais aberto? Quer viver relax ? Quer sair do stress ? Quer economizar? Quer conhecer o México? Quer comer saudavelmente? Quer emagrecer? Quer engordar? Quer virar uma atleta? Começar a fazer ballet ? Aprender kitesurf ? Se mudar para o Japão? Visitar Santiago de Compostela? Pintar o quarto de azul? Tudo relativo a nós mesmos é questão de foco Você pode conseguir exatamente o que quer Ou pode transformar seu objetivo inicial O resultado sempre dependerá de você Mas sentimentos são libertos Decidem a hora de pousar E a de partir também E nem um turbilhão de razões adianta Então não apresse... Artwork:  Catrin Welz-Stein  

Sétimo Dia

Uma despedida é um último ato de amor Um momento para reconhecimentos Para inevitáveis (e saudáveis) desapegos Um abraço demorado nas melhores memórias A hora exata de virar e arrancar páginas Guardando algumas, queimando outras Fazendo aviões de papel com muitas A despedida não tem tempo exato Pode ser breve ou até parcelada Não é isso que define coisa alguma O que define é o quão fundo isso foi...em você Esse será o tamanho da conciliação Artwork: Courtney Cotton

Rio Clichê

Corcovado e paisagens Praia, areia, onde o mar serpenteia A Rocinha explode pelos ares Nuvens escuras descem Quem é você, Rio? Cidade cosmopolita maldita? Purgatório disfarçado de cores? Celeiro de bandidos e desordeiros? Bomba relógio internacional? Vergonha do Leme ao Pontal? Não. O Rio é a mesma cidade funk Maravilhosa de Vinícius e Tom De Copacabana, carnaval e louras geladas De cenários e sambas Di Cavalcanti Daquele abraço do Gil O Rio de Janeiro continua lindo Imbatível e muito amado A cidade continua zerovinteum De Cabral de Pedros a Sérgios O ser humano é que está o caos Photo: Fabio Minduim

Sentimentos Baleados

Encontro Intensidade Atração Afinidades Tesão Vácuo Retomada Desejos Trocas Rompimento Descaso Procura Envolvimento Excitação Revelações Impacto Despedidas Saudade Volta Entusiasmo Declarações Paixão Interrupção Incoerências Fuga Ansiedades Recomeço Paraísos Insistências Êxtase Entrega Perguntas Negativas Negligências Desistências Feridas Brigas Silêncio Ímpeto Inspirações Desprezo Polaridades Dúvidas Fragmentos Sentimentos baleados...   Artwork: Tim Fishlock (Oddly Head)

Asas

Sim, eu tenho medos Mas isso não afeta a minha coragem Porque mais vale acabar despedaçada no chão Do que nunca ter alçado voos... Artwork: Howard Lau

Talvez...

Talvez eu seja dessas De arregar De sentir saudade e procurar Talvez eu seja dessas De voltar atrás De esperar na esquina e na surdina Talvez eu seja dessas De não ter vergonha De escrever linhas e rimas  Talvez eu seja dessas De não ter medo De fazer o que eu sinto Talvez eu seja dessas De não me importar com os outros De me expressar em outdoors escandalosos E daí? Artwork: Fajar P. Domingo

Elefante

Em uma foto quando você perceber o seu sorriso torto Em um instante roubado bem no meio do seu trabalho Em uma noite de calor que te acorda  de repente Em um dos silêncios entre uma palavra e outra Em uma gota de suor que percorrer  seu corpo Em uma carinha que  parece com as minhas Em um nome chamado por alguém na rua Em um tremor do corpo num dia frio Em um gozo que não chegou a tanto Em um beijo que não foi longe Em um banho  revigorante Em uma notícia na tevê Em uma cama vazia Em qualquer dia Sempre... Eu vou assombrar você Artwork: Nikolina Petolas

Rotina

Corpos, suores Desejos Respirações, cheiros Perfumes Línguas, toques Umidades Movimentos, pressões Temperaturas Mãos, dedos Texturas Olhares, beijos Paixão Palavras, silêncios Vácuo Términos, recomeços Ciclos Você, eu Apenas sendo nós... Artwork: Valentini Mavrodoglou

Crash

Qual é o tamanho da sua bagagem, baby? Estávamos chegando em algum lugar Mas você não me disse tudo o que tinha Só vim com uma malinha de mão Com pouquíssimas coisas, apenas o essencial Do qual não abro mão Qual é o tamanho da sua bagagem, baby ? Porque parece que inclui baús E caixas nunca abertas Eu só tenho meia dúzia de pertences Declarei tudo, não tenho nada escondido Minha bagagem não tem excesso Qual é o tamanho da sua bagagem, baby? Se for pesada, livre-se logo disso Está apegado? Deixe tudo para trás Se o avião vai se espatifar no chão Vamos nos agarrar só ao que interessa Para termos alguma chance Qual é o tamanho da sua bagagem, baby? Não deixe tudo o que conquistamos Por coisas que você nem sabe mesmo se quer Não vamos ficar juntos Se não for apenas eu e você E nossas pequenas coisas importantes Qual é o tamanho da sua bagagem, baby? Isso está te segurando, o tempo está acabando E eu vou pular.. Artwork: Tin Tran

Voos

Eu não tenho asas, mas tenho uma coragem emplumada... Artwork: Amy Judd

Reencontro

Os dois estão ali Corpos colados Sem pressão. A energia flui Chega pelo solo Sobe pelas pernas Explode em seus sexos Se espalha pelas costas Dando voltas pelos peitos Reverberando em suas bocas Fazendo seus lábios tremerem E se tocarem.. Podia ser puro tesão Mas é muito mais É saudade. Artwork: Ivana Besevic

Fernandos e Coca-colas

Volto do mercado da esquina, onde fui comprar uma Coca-Cola para fazer companhia ao rum que agora não sai da minha dispensa nem dos meus fins de noite ... A vizinha do prédio em frente está alterada ao telefone. Sua voz forte e revoltada corta a noite, atravessa a rua e chama-me a atenção: — Fernando, quando você me ver na rua finge que não me conhece. Você não é homem! Você não é homem! Chega! É sexta-feira, dia nacional dos encontros e — pelo que parece ultimamente —  dos desencontros. As frases repetidas e decididas da vizinha —  meio novela mexicana — me arrancam sorrisos, porque chega a ser engraçado de tão patético. No entanto, a sinceridade daquelas palavras reverberou em mim. "Estamos na era do posso tudo." Porque é isso. Estamos na era do posso tudo. Todo mundo está disponível. O mundo agora é um infindável cardápio online e offline de pessoas oferecidas como apetitosos pratos em sites, nas redes sociais, nos bares, nas esquinas.

Transparência

Absolutamente ninguém sabe o que o outro pensa até que isso seja revelado pelo próprio, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições... Por isso, o que deve valer é o que você mesmo pensa, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições... Artwork: Aneta Ivanova 

Bula

Fui feita para ser consumida ou vomitada Mas jamais para ser deixada em banho-maria. Artwork: Derek Gores 

Recaída

Estou toda colada em você todo A boca, o peito, o ventre, o sexo Meu coração bate tanto e tão forte Que o sinto subindo pelo pescoço Minha respiração está acelerada Meu corpo todo pulsa e treme Quero te esquecer de verdade Mas não sei por onde começo Você está todo em mim... Artwork: Kim Joon

O Senhor das Palavras

E lá estava ele, o Senhor das Palavras Sempre sabia o que dizer com suas frases exatas Doava palavras de apoio e força para os fragilizados Distribuía para as mulheres galanteios sempre certeiros  E usava sempre um tom grave e sincero com os mais velhos E ela, que também era muito hábil com as palavras por profissão, Em um encontro no pátio, aceitou o desafio dele de trocarem verbos Ele começou o jogo usando os verbos surpreender , conhecer e encantar Despretensiosa, ela preferiu seguir o jogo usando o observar e o flertar E ele, cheio de charme, quase a chamou de covarde por  não querer apostar Levando tudo como uma brincadeira, ela usou o repetir, o sorrir e o permitir Ele a olhou demorado e, como se já a conhecesse, usou o provocar e o instigar   Acreditando que, com suas escolhas, ele estava jogando pra valer, ela usou o abrir Ele então deu um sorriso desconcertante e usou, sem economia, o cativar e o seduzir

Restaurando

Adoraria jogar suas roupas no lixo Pisar no seu fone de ouvido preferido Quebrar os vidros do seu carro com martelo Mas não tenho nada disso... Só tenho coisas invisíveis, não palpáveis Um monte de impressões, sensações, suposições Registros de um envolvimento remoto e desconexo Cheio de não intenções... Então vou mudar a minha playlist rápido Deletar sem a menor pena músicas que até gosto Limpar cada cantinho até achar seu último vestígio Vou faxinar o ciberespaço.. Mas, não vou detonar nada do que é seu Apenas vou me desfazer de tudo o que é nosso Colar o que rachou para não ter que catar os cacos A destruição pode ficar toda com você. Artwork: Unknown artist

Reciprocidade

Palavras iguais chegam no mesmo momento Revelando pensamentos simultâneos Descortinando desejos idênticos Fragmentos de frases se encontram no ar e se completam Para chegarem inteiras aos seus destinos Fazendo do um o resultado de todas as matemáticas Textos se misturam e se complementam Escrevendo uma história mútua a quatro mãos De sentidos inéditos, não catalogados Imagens evocam risos, cumplicidades, corpos e movimentos Onde até as gotas de suor escorrem em sincronia Não é tesão, não é paixão, não é amor...reciprocidade. Artwork:  Carol Weinberg

Insight

Em que vales moram as respostas para que possamos encontrá-las? Em tudo o que foi dito antes, depois ou no que não foi dito? Nas linhas, nas ênfases, ou nas entrelinhas? Onde estão as sinalizações para encontrarmos o endereço das respostas? Olhamos para frente, para trás, para os lados ou para nós mesmos? E o que pode nos guiar na falta de sinalizações claras? As respostas talvez estejam na alucinante necessidade delas. Se é isso que nos impele, é porque o que aconteceu ou foi dito ficou incompleto. E aí percebemos que o que procuramos não são respostas, mas pedaços que faltam... Artwork:  Adam Hale

Mensagem

Eu queria que você estivesse aqui Onde eu pudesse encostar em você Onde você pudesse ouvir meus silêncios Onde meus gemidos pudessem ser acionados Onde suas mãos pudessem teclar no meu corpo Eu queria que você estivesse aqui Nessa bolha que só a gente entende Nessas diferenças que a gente viabiliza Nesse dia ensolarado que jamais nos veria Nessa cena que conhecemos, mas não vivemos Eu queria, quero, quereres Artwork:  Steve K | Fineartamerica

Cala-te

Uma das vantagens da maturidade é você não se dar mais ao trabalho de dizer o que alguém não quer ouvir ou, pelo menos, não insistir no tema.  Afinal, a ignorância também pode ser uma escolha e escolhas são estritamente pessoais. Photo: Guy Bourdin 

E se...

E se eu virar mar? Você será arrecifes de corais ou oceano? Será uma ilha ou horizonte? Será areia quente ou brisa fresca? Vai ficar na beira ou se molhar? Vai nadar ou mergulhar? Vai navegar ou apenas contemplar? E se eu virar mar? Photo: Reuben James

Waves

No asfalto, entre metrôs e carros Gente programada e ela também Indo fazer o que tinha que fazer... Ela o encontrou. Apesar do parque estar gradeado Apesar da ilha estar fora de alcance Apesar daquele homem ser de alguém Foi um encontro. Naquela tarde qualquer Aquele dia no meio de outros Desencadeou afinidades E desejos não autorizados E então o asfalto tornou-se praia Carros viraram pranchas O mundo de repente era uma Califórnia Entre sol, areias, sorrisos e beijos Viagem boa...e breve. Os portões do parque que se escancararam Se fecharem com barulho depois A ponte que ergueu-se de lá até uma ilha no mar Explodiu sem avisos em mil pedaços Nada foi dito Tudo foi entendido Vivido na plenitude Por longos segundos Uma certeza sem lar Nada além de um vislumbre De um exercício de impressões Mas, algo nunca vai mudar ou se perder Quando aqueles olhos verdes olham para ela Algum decreto cai no Reino da Dinamarca E quando os dela, simplesmente castan

Abra-te!

Ousadia é acreditar É não ter medo de ampliar a visão É não ter medo de mudar o ângulo Ousadia é experimentar É permitir-se É sair do lugar É cortar relações com a mesmice Ousadia é flexibilidade É versatilidade É ser open mind Ousadia é ver a diversidade como essencial Ousadia é ser livre É não andar com uma bagagem pesada de pseudo referências De preconceitos De ideias arraigadas De percepções fechadas Ousadia é não ter bagagem Porque tudo se renova o tempo todo E o que vale a pena cabe nas mãos No coração Na alma Ousadia é você sentir-se incrível Apesar de tantos erros Um monte de percalços E alguns altos preços Ousadia é continuar vendo o mundo colorido Não é ficar escolhendo as cores dele Não é ter facilidades desde sempre Precisar de pouco esforço para conquistar E ainda assim sentir-se miserable e achar o mundo uma grande merda Ousadia não é acreditar que você é o dono de algum Santo Graal Ousadia não é achar o outro menos Ousadia não é saber os seus gostos Os seus p

Só que não...

Uma vez comi uma salada em que o palmito estava duro como pedra. Fiquei tão irritada (o lugar ainda por cima era caro) que não reclamei com o garçom, pedi para chamar o chef! Minutos depois chega um louro de rabo de cavalo, bronzeado, todo tatuado e com um desarmante sorriso. Ele perguntou o que havia me desagradado. Pedi a ele para provar o palmito. Ele provou, ficou sério, fez uma cara de contrariado, respirou, armou o belo sorriso de novo e disse:  — Não tenho como te compensar de um erro tão primário a não ser cozinhando pessoalmente um jantar para você, hoje... Photo:  Dreamstime

Janela

Instantâneo Espontâneo Intenso Explosivo Acaso marcado Estava escrito Talvez rabiscado Quem pode saber Encontro de sóis e de escuridões Lado A  Lado B Lado C Multifacetas Vontades Desejos Fantasias Realidades escondidas Uma metade da outra metade Que não necessariamente se pertencem Mas que são o que faltava na outra Mundos alternativos Porta secreta aberta Janela escancarada Enredos não escritos Surpresas Vida Algumas horas Um dia Algumas semanas Um par de meses Um punhado de anos O resto da vida O que importa diante da sorte de um encontro tão improvável Uma esbarrada que sacudiu o ordinário e transformou o pulsar orgânico do corpo em algo absolutamente magnífico Imagens Sensações Rascunhos Minutos que tornaram-se história Memória.  Photo: Fantasticna

Roubado..

(...) degustações devem ser demoradas, sem pressa, para dar chance aos sabores mais sutis...àqueles que não aparecem nas primeiras mordidas,vão chegando e redefinindo o paladar. Photo: Unknown artist

Conversão

Sintonia Conexão Vácuo compartilhado Espaço vazio em ambos os lados Conversão do nada em desejos Pipa colorida no horizonte Você Eu e a eterna possibilidade de nós dois Um exercício que sempre fazemos Talvez sem a menor intenção de torná-lo real Talvez nos alimentando para darmos uma sobrevida até uma oportunidade Um calendário sem datas Como bem já sabemos Uma chance jogada em um futuro que pode se perder nas edificações da vida de cada um Ou que pode quebrar tudo e surpreender Não a nós dois Mas ao resto... Photo: Arindam Sen

De repente

De repente essa vontade de falar de amor E eu nem acredito mais nele Não vivo à sua espera Sigo sem achar que ele é capaz de me encontrar andando pelas ruas Me desacostumei a esperá-lo Desapeguei  Virou ficção de livros Enredo de filmes Temas de músicas Uma fantasia Algo que aprecio Meu tema preferido Mas não para viver Apenas para contemplar Estou cansada de pequenezas Ensaios Hesitações Desistências Indecisões Covardias Posses Metades Não tenho interesse pelo cardápio vigente Não tenho vontade de discutir o tal do amor Não faço questão Não estou fechada Na verdade Me libertei Mas de repente vem essa vontade de falar de amor Falei. Artwork:  Silvana Mattievich

Clarice Lispector

Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só... Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo." "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca." "Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento..." Clarice Lispector Artwork: Ana Waléria Dias