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Mostrando postagens de Julho, 2017

Fernandos e Coca-colas

Volto do mercado da esquina, onde fui comprar uma Coca-Cola para fazer companhia ao rum que agora não sai da minha dispensa nem dos meus fins de noite ... A vizinha do prédio em frente está alterada ao telefone. Sua voz forte e revoltada corta a noite, atravessa a rua e chama-me a atenção: — Fernando, quando você me ver na rua finge que não me conhece. Você não é homem! Você não é homem! Chega! É sexta-feira, dia nacional dos encontros e — pelo que parece ultimamente —  dos desencontros. As frases repetidas e decididas da vizinha —  meio novela mexicana — me arrancam sorrisos, porque chega a ser engraçado de tão patético. No entanto, a sinceridade daquelas palavras reverberou em mim. "Estamos na era do posso tudo." Porque é isso. Estamos na era do posso tudo. Todo mundo está disponível. O mundo agora é um infindável cardápio online e offline de pessoas oferecidas como apetitosos pratos em sites, nas redes sociais, nos bares, nas esquinas.

Transparência

Absolutamente ninguém sabe o que o outro pensa até que isso seja revelado pelo próprio, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições... Por isso, o que deve valer é o que você mesmo pensa, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições... Artwork: Aneta Ivanova 

Bula

Fui feita para ser consumida ou vomitada Mas jamais para ser deixada em banho-maria. Artwork: Derek Gores